Eu não pertenço à ninguém. Vivo, cada dia, escondido entre as mesas. Não pertenço à ninguém. Sou mais a lua do que o sol. Rabisco minhas palavras escondidas entre as minhas mãos, elas escorregam brinc...
Não escrevo por conta do tempo, escrevo por conta das pessoas que defendi por 33 anos. Escrevo porque advogar, de certa forma, me tornou um ser humano um pouco melhor. Deslizar com as minhas amigas pa...
Trinta e dois anos na defesa dos menos afortunados. Passei, jovem ainda, por um sistema nominado por ditadura militar. Não imaginava que após a volta da democracia tivéssemos que vivenciar as cenas la...
Não faz nenhum sentido, mesmo porque não escrevo tal qual aquele que escreve com pena de ouro – pessoa que escreve com exatidão e elegância – ficar de cócoras, agachado, fumando um cigarro e olhando p...
Confira a crônica do advogado e escritor Sílvio Lopes: O Empório de Santo Antônio das águas benditas
No velho Empório, que não era um centro de comércio internacional, mais que um mercado, de certo que sim, na realidade um armazém, uma diminuta loja de secos e molhados e bêbados engalfinhados com sua...
Não existe tranquilidade diante do tempo em que hoje existo. Nem sei mesmo se existo. Entendo que devo ser uma brincadeira idiota ou do destino ou do Criador de tudo. É de cada alma fascista pensarmos...
Ausente por muito tempo. Não construí e menos ainda fui delicado. Outrossim, não convidei quem quer que seja a ficar do meu lado. A campânula de outras almas, da minha alma, ficaram me protegendo e eu...
Sempre soube que as gavetas, malas, portas e janelas não são seguras, não estamos imunes, livres do medo, pavor e fobias, ainda que tudo hipotético. Particularmente sou um bufão, um maninelo diante de...
Trato de descobrir poesia na parede do outro lado da rua. Sei que a lua vai me confundir, amontoar a pequena esperança. Não existe nenhuma imagem, nenhum santo e muito menos um quadro. Não existe mold...
Gosto de rabiscar, traçar garatujas, encher o papel e a vida com rabiscos. Não sou poeta e jamais serei, nem mesmo daqui a duzentos anos. Sou de amargar luta rotineira com o neurônio mais estúpido que...
As noites merecem o velho Spíndola. Aliás, as noites estão a merecer uma alma &n...
Rua ou caminho empedrado, sou convidado ao silêncio. As pedras me obrigam. Estando revestido com alma feita de aço ou usando um ...
O LIVRO é minha guerra pessoal. Abre inteiramente a vida nos meus olhos, &...
Um bar quase na esquina estraleja e assusta. Estropiadas, mutiladas, as almas que andam &nbs...
Neste sábado que faz congelar o sangue, tarde repleta de iniquidade humana, vou contar carneiros que nunca vislumbrei, verei fantasmas que receberei graciosamente e serei mais triste ainda. Existe sim...
Sob as rochas, já que não existem pedras, minha alma é &...
Deixo o tédio todo para segunda-feira. Não existe extubação possível na alma que ...
Na escada, nessa escada, não se sobe e nem se desce. Um homem se encontra infeliz. Na verdade não há felicidade. Não existe, outrossim, infelicidade que suba ou desça com ele. Existem, isto sim, os vi...
Antenor é aficionado (não aficcionado) por uma arte que não exerce profissionalmente. É amante de touradas. Sua consorte, companheira de prisão na pandemia, companheira na sorte e nas metáforas loucas...
As coisas são assim. Elas colocam vírgulas e interrogações. Sou bêbado, borracho, mas não sou equilibrista de esquinas tortas. Meu bar é uma garagem, sinônimo de garage. Uma mesa única e duas cadeiras...













