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Resumo:
O economista Charles Mendlowicz avalia que o fim da escala 6×1 traz avanço social, mas alerta para o impacto financeiro imediato sobre pequenos negócios e o risco de aceleração da automação e do desemprego.
Mudança traz ganho social aos trabalhadores, mas Charles Mendlowicz alerta para impacto financeiro imediato sobre pequenos negócios e aceleração da automação nos postos de trabalho
A aprovação no Senado da PEC que decreta o fim da escala 6×1 intensificou o debate sobre os ganhos de bem-estar social para os trabalhadores e as pressões financeiras sobre o setor produtivo. Com um cronograma de transição que prevê a redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais já nos primeiros 60 dias após a promulgação, além da garantia de dois dias de descanso remunerado, a medida altera as relações de trabalho no Brasil. A segunda etapa, prevista para 12 meses após a primeira fase, consolidará o teto de 40 horas semanais sem a possibilidade de redução salarial.
Apesar da comemoração de setores sociais e do governo federal, economistas e lideranças de segmentos diversos da economia manifestam preocupação quanto ao ritmo de implementação e à falta de mecanismos de compensação fiscal. Em análise sobre o tema, o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, pontuou que, sob a perspectiva da qualidade de vida, a mudança é necessária, mas criticou a forma como a transição foi imposta ao empresariado.
“Eu sou favorável ao fim da escala 6×1, é uma escala horrível. Mas quando o governo toma essa decisão em uma canetada, com mudanças dentro de 60 dias, sem que o empregador possa reduzir o salário, prejudica várias empresas”, avalia Mendlowicz.
Aumento nos custos trabalhistas pode levar à aceleração da automação nas empresas
Na visão do economista, o principal ponto de preocupação recai sobre o comércio de bens e serviços e, em especial, os pequenos empresários. Um estudo da Abrasce, realizado em parceria com a Tendências Consultoria, projetou que pequenos lojistas com até seis funcionários, que representam 56% das operações em shoppings, teriam menor capacidade de absorver o aumento de custos trabalhistas. A Abrasel, associação que representa bares e restaurantes, estima um aumento de 20% nos gastos com funcionários para manter o horário de funcionamento dos estabelecimentos.
Para Mendlowicz, a ausência de um suporte estatal durante a fase de adaptação é a principal falha do projeto aprovado. “Eu acho que deveria ter uma livre negociação e que essa mudança na escala deveria ter a participação do governo não só na aprovação, mas com uma ajuda aos empresários”, avaliou o economista.
Charles acredita que medidas mitigadoras evitariam o choque financeiro: “Por que o governo não fez uma compensação? O governo poderia resolver isso com uma compensação, arcando com a diferença nos três primeiros anos após ao fim da escala. Desse modo, as empresas teriam três anos para se ajustar ao novo formato”.
Outro desdobramento apontado pelo mercado e destacado por entidades como a Confirp no workshop “Da Escala 6×1 para 5×2: Desafios, Riscos e Oportunidades para as Empresas”, é a aceleração da automação das empresas como forma de lidar com um eventual aumento dos custos com mão de obra. O risco iminente, segundo o Economista Sincero, é o aumento da informalidade ou a eliminação de postos de trabalho de entrada no mercado.
“O fim da escala 6×1 acontecerá em 60 dias. Dá tempo para o empresariado se preparar? Não. Me preocupa o impacto da medida sobre a empregabilidade nacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, há supermercados com 10 postos de autoatendimento e um único caixa com operador, é uma tendência. Com a aceleração da automação, me preocupo com o desemprego”, adverte Charles.
A discussão sobre a escala 6×1 ocorre em um cenário fiscal sensível, com o mercado financeiro monitorando o avanço das despesas públicas e os reflexos nas curvas de juros e na inflação. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima uma alta de pelo menos 13% na inflação após a aplicação das mudanças, enquanto a Confederação Nacional da Indústria projeta que a elevação dos custos industriais resultará em um aumento de 5,7% nas compras de supermercados e de até 6,6% nos preços de roupas e calçados.
Para além do debate sobre a jornada de trabalho e a inflação, Mendlowicz lembra que a carga tributária incidente sobre o trabalho no país permanece sendo um gargalo estrutural não resolvido. “O brasileiro trabalha cinco meses do ano só para pagar imposto e sustentar o Estado”, conclui o economista, sinalizando que a reformulação do ambiente de negócios no Brasil exige mais do que alterações nas regras trabalhistas.
Sobre o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é economista formado pela UERJ, com MBA em Gestão Estratégica (UFF) e MBA em Logística (FGV), com 30 anos de experiência no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir” e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”. Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.

















