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Câmara de Ouro Branco cobra explicações sobre saúde, contratos e Rodovia da Batata após reunião marcada por pressão popular

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A reunião da Câmara Municipal de Ouro Branco foi marcada por cobranças sobre saúde pública, contratos administrativos, infraestrutura rural e reconhecimento a projetos sociais desenvolvidos no município. A sessão expôs temas sensíveis para a população e reforçou o papel do Legislativo na fiscalização dos serviços públicos e na cobrança por respostas do Executivo.

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Entre os principais pontos debatidos estiveram requerimentos solicitando informações detalhadas sobre contratos de aluguel de veículos, ações de bem-estar animal, impacto financeiro de projeto voltado a alunos com diabetes tipo 1 e dados de atendimento do Hospital Raimundo Campos. Também ganhou destaque a situação da Rodovia da Batata, alvo de reclamações de moradores por causa de buracos, erosões, reparos considerados inadequados e riscos para motoristas, trabalhadores e estudantes.

Requerimentos pedem dados sobre contratos e saúde pública

Durante a sessão, vereadores aprovaram requerimentos que buscam ampliar a transparência sobre áreas estratégicas da administração municipal. Um dos pedidos solicita informações completas sobre contratos de locação de veículos firmados pelo município, incluindo relação dos contratos vigentes ou encerrados nos últimos dois anos, identificação dos veículos, valores, empresas contratadas, processos administrativos, modalidade de contratação, empenhos, pagamentos e notas fiscais.

Outro requerimento cobra detalhes sobre ações de bem-estar animal, como campanhas, programas, atendimentos realizados, quantidade de animais assistidos, gastos, fontes de recursos, equipes envolvidas e processos de contratação de serviços ou profissionais.

Também foi solicitado esclarecimento sobre eventual impacto financeiro e administrativo de projeto de lei voltado a alunos com diabetes tipo 1 na rede municipal de ensino. A preocupação é saber se a proposta cria despesas obrigatórias, exige novos cargos, estruturas ou adequações orçamentárias.

Na área da saúde, o requerimento mais sensível pede explicações sobre declaração atribuída ao secretário municipal de Saúde, segundo a qual o Hospital Raimundo Campos teria atendido mais de 15 mil pacientes em emergência e internação em determinado período. Os vereadores solicitaram documentos, planilhas, metodologia estatística, origem dos dados, responsável técnico e separação entre urgência, emergência, internações, observações, transferências e retornos.

A solicitação busca esclarecer se o número divulgado representa pacientes únicos ou total bruto de atendimentos, inclusive com possíveis repetições. Essa distinção é essencial para compreender a real demanda do hospital e evitar interpretações equivocadas sobre os dados da saúde pública.

Hospital Raimundo Campos vira tema central da reunião

O Hospital Raimundo Campos apareceu como um dos temas mais importantes da sessão. Além da cobrança formal por dados, moradores e vereadores reconheceram o trabalho de médicos, enfermeiros e demais profissionais da unidade, mas também apontaram a necessidade de melhorias estruturais.

Na tribuna, um morador relatou que o irmão foi atendido em estado grave, permaneceu seis dias na sala vermelha e posteriormente foi transferido para Barbacena. Ele agradeceu o atendimento recebido, mas defendeu que o hospital avance em estrutura, especialmente com a implantação de um CTI, para atender casos mais complexos e reduzir a dependência de transferências para outros municípios.

A possível implantação de uma gestão compartilhada no Hospital Raimundo Campos também foi discutida. Vereadores defenderam que qualquer mudança no modelo de gestão seja previamente explicada à população, com realização de audiência pública, apresentação de documentos e espaço para questionamentos. O argumento é que decisões envolvendo saúde pública precisam de clareza, participação social e segurança institucional.

Rodovia da Batata mobiliza moradores e vereadores

Outro ponto de forte repercussão foi a situação da Rodovia da Batata. Um morador usou a tribuna para cobrar providências sobre buracos, erosões, asfalto deteriorado e riscos de acidentes. Segundo o relato, ônibus escolares, trabalhadores e moradores da zona rural enfrentam diariamente condições perigosas na via.

A reclamação teve apoio de vereadores, que reconheceram os problemas e defenderam fiscalização mais rigorosa. Alguns parlamentares afirmaram que operações de tapa-buraco têm sido insuficientes ou mal executadas, com reparos que deixam desníveis na pista e não resolvem o problema de forma definitiva.

Também foi levantada a necessidade de uma solução mais ampla, como recapeamento ou reconstrução de trechos críticos. A Rodovia da Batata foi apontada como uma via importante para comunidades rurais, deslocamento de trabalhadores, transporte escolar, acesso a serviços de saúde e ligação com outros municípios.

Durante o debate, vereadores mencionaram questionamentos antigos sobre a qualidade da obra e o custo do asfaltamento. Foi citado em plenário que a rodovia teria custado cerca de R$ 6 milhões em aproximadamente 6 km, valor apresentado como fala parlamentar e que ainda depende de checagem documental completa. Mesmo assim, o consenso da discussão foi que a situação atual exige respostas práticas e urgentes.

CAFRO e Abala Minas recebem reconhecimento

A reunião também abriu espaço para reconhecimento ao trabalho da CAFRO, entidade ligada à capoeira em Ouro Branco. Juliano Evangelista Pinto, conhecido como Comodo, relatou a trajetória da associação, fundada em 2009, e destacou a realização do evento Abala Minas.

Segundo ele, o evento contou com troca de cordas, formatura de graduados, pesagem de atletas, competição e participação de convidados de outros estados e países. Vereadores elogiaram a atuação da CAFRO na formação de crianças, jovens e adultos, destacando a capoeira como esporte, cultura, disciplina, arte e ferramenta de inclusão social.

O trabalho da entidade foi apontado como exemplo de projeto social capaz de afastar jovens de situações de vulnerabilidade e fortalecer vínculos comunitários.

Transparência deve pautar os próximos passos

A reunião mostrou que Ouro Branco vive um momento de cobrança por maior transparência, especialmente em áreas como saúde, infraestrutura, contratos públicos e políticas sociais. O Legislativo aprovou pedidos de informação e ouviu demandas diretas da população, enquanto vereadores reconheceram a necessidade de acompanhar de perto a execução de obras e serviços.

Os próximos meses devem ser decisivos para três frentes principais: a resposta aos requerimentos aprovados, os esclarecimentos sobre o funcionamento e eventual gestão compartilhada do Hospital Raimundo Campos e a busca por solução definitiva para a Rodovia da Batata.

Se o Executivo apresentar dados completos, documentos e cronogramas claros, a Câmara poderá avançar na fiscalização com base em informações concretas. Caso contrário, a pressão política e popular tende a crescer.

Mais do que discursos, a população espera respostas práticas: estradas seguras, saúde estruturada, contratos transparentes e políticas públicas capazes de atender às necessidades reais do município.

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