Taxas de DI disparam; mercado projeta Selic mais alta
Taxas de DI disparam; mercado projeta Selic mais alta na esteira do temor inflacionário global e da tensão no Oriente Médio, levando investidores a zerar apostas de cortes adicionais na taxa básica brasileira.
Taxas de DI disparam; mercado projeta Selic mais alta
A curva de juros futuros brasileira encerrou a sessão de quarta-feira (3) em forte alta. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou 11,5 pontos-base e fechou a 14,275% ao ano, contra 14,160% no ajuste anterior.
Nos vencimentos de médio prazo, a movimentação foi ainda mais intensa. O DI para janeiro de 2029 saltou 36 pontos-base, encerrando a 14,375%. Já o vértice de longo prazo, para janeiro de 2036, atingiu 14,355%, aumento diário de 28,5 pontos-base.
O movimento local acompanhou a elevação dos Treasuries dos Estados Unidos, que refletem a expectativa de juros elevados por mais tempo. O retorno do título norte-americano de dois anos passou a 4,082%, enquanto o papel de dez anos subiu para 4,455%.
A pressão veio da combinação de dados de emprego mais fortes nos EUA e da escalada da crise no Oriente Médio, fatores que reacenderam o receio de choque inflacionário internacional. Declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre possível intensificação militar esfriaram a chance de trégua entre Washington e Teerã, aumentando a aversão ao risco.
No Brasil, operadores zeraram apostas de cortes posteriores na Selic. Parte do mercado já considera que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 17 de junho pode marcar o último ajuste de 2026. Segundo opções negociadas na B3, a probabilidade de queda de 25 pontos-base passou de 71% para 0%, com o cenário majoritário apontando manutenção em 14,50%.

Imagem: Liliane de Lima
A cautela ganhou força após o governo dos EUA anunciar intenção de aplicar nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, acréscimo que se somaria aos 25% divulgados no início da semana. Para Luca Girardi, analista da Nomad, a medida pode intensificar a saída de capital estrangeiro e pressionar ainda mais a curva de juros.
Com a combinação de riscos externos e internos, economistas revisam para cima a previsão de Selic terminal para o fim de 2026, enquanto os vértices intermediários da curva DI já embutem prêmio adicional superior a 30 pontos-base em apenas uma sessão.
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Crédito da imagem: inkdrop















