STF julga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe
STF julga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe nesta terça-feira (2), quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal inicia a análise da denúncia que aponta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus como responsáveis por articular a ruptura da ordem democrática após a eleição de 2022.
STF julga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe
A Procuradoria-Geral da República acusa o grupo de cinco crimes: organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Além de Bolsonaro, estão no banco dos réus os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier, o ex-ministro Anderson Torres, o deputado federal Alexandre Ramagem e o tenente-coronel Mauro Cid. O presidente da Turma, ministro Cristiano Zanin, reservou cinco sessões distribuídas em duas semanas; eventuais pedidos de vista podem adiar o desfecho para dezembro.
A expectativa de condenação já impacta o cenário político. A prisão domiciliar de Bolsonaro intensificou a corrida pelo Planalto em 2026 e projetou o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como possível adversário de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista, Tarcísio prometeu conceder indulto “na hora” caso o ex-presidente seja condenado, posição que irritou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e expôs disputas internas na direita.
No plano externo, atores econômicos temem que uma sentença desfavorável incentive o governo de Donald Trump a ampliar a tarifa de 50% já imposta aos produtos brasileiros e a manter sanções individuais contra o ministro Alexandre de Moraes. A repercussão internacional ganhou destaque no The Washington Post, que classificou o processo como “inflexão histórica” por levar, pela primeira vez, uma tentativa de golpe ao julgamento formal no Brasil.
A defesa de Bolsonaro sustenta não haver prova direta ligando-o ao plano “Punhal Verde e Amarelo”, que, segundo a acusação, previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio Moraes. Os advogados também afirmam que a transição de governo foi pacífica e contestam a delação de Mauro Cid.
Imagem: Internet
Enquanto o julgamento avança, aliados pressionam o Congresso a votar projetos de anistia, mas o tema encontra resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Caso a condenação se confirme, analistas avaliam que qualquer indulto ou anistia poderá ser questionado novamente no Supremo.
Para acompanhar todas as atualizações sobre o julgamento e seus efeitos na política nacional, acesse nossa editoria de Brasil e continue informado.
Crédito da imagem: Estadão Conteúdo















