Solução de dois Estados enfrenta resistência na ONU
Solução de dois Estados enfrenta resistência na ONU ganha novo impulso na Assembleia-Geral, mas esbarra na rejeição contundente de Estados Unidos e Israel, mesmo com França, Arábia Saudita e outras nações defendendo o reconhecimento imediato de um Estado palestino.
Solução de dois Estados enfrenta resistência na ONU
Em Nova York, Paris e Riad apresentaram um roteiro que prevê cessar-fogo imediato em Gaza, retirada total das forças israelenses e criação de um Estado palestino desmilitarizado nos territórios ocupados em 1967. O plano, apoiado por quase 150 países que já reconhecem a Palestina, foi endossado em resolução não vinculante pela Assembleia-Geral.
O movimento ganhou força após Reino Unido, Canadá e Austrália somarem-se ao bloco favorável à solução de dois Estados no último domingo. A França deve formalizar a adesão ainda esta semana. A iniciativa, porém, enfrenta oposição de Washington, que vetou a participação de representantes palestinos na reunião e mantém apoio ao premiê israelense Benjamin Netanyahu, crítico histórico da proposta.
Netanyahu ameaça anexar partes da Cisjordânia caso a comunidade internacional avance unilateralmente. A medida deixaria mais distante o objetivo de criar um Estado palestino nos moldes defendidos pela ONU, que inclui Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Organizações de direitos humanos alertam que o atual status quo — com mais de 500 mil colonos israelenses vivendo ao lado de três milhões de palestinos sob administração militar — aproxima-se de um regime de apartheid. Para o secretário-geral António Guterres, “sem dois Estados não haverá paz no Oriente Médio”.
Apesar da pressão diplomática, Washington e Tel Aviv alegam que reconhecer a Palestina “recompensa o Hamas” e dificulta negociações para libertar reféns e suspender a ofensiva que já matou dezenas de milhares de civis em Gaza. O último cessar-fogo colapsou em 9 de setembro, quando Israel atacou negociadores do grupo no Catar.
Imagem: Joseph Krauss The Associa
O plano franco-saudita contorna temas explosivos — fronteiras definitivas, assentamentos, refugiados e status de Jerusalém — e deposita confiança na Autoridade Palestina, hoje vista como autocrática por parte da população. Eleições em até um ano fazem parte do pacote, mas dependem de reformas e da deposição de armas pelo Hamas.
Para especialistas citados pela Organização das Nações Unidas, sem avanço real a proposta corre risco de juntar-se à longa lista de acordos fracassados, mantendo Israel no controle total da região entre o rio Jordão e o Mediterrâneo.
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Crédito da imagem: Global News















