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Renúncia do premier francês aprofunda crise política

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Renúncia do premier francês aprofunda crise política

Renúncia do premier francês aprofunda crise política sacudiu Paris nesta segunda-feira (14). Menos de 24 horas depois de anunciar seu gabinete, Sébastien Lecornu entregou o cargo e se tornou o quarto primeiro-ministro a deixar o posto em menos de um ano, intensificando o impasse que assola o governo de Emmanuel Macron.

Renúncia do premier francês aprofunda crise política

Em comunicado, o Palácio do Eliseu confirmou que Macron aceitou a demissão. Lecornu, que substituíra François Bayrou em setembro, declarou não haver “condições para permanecer” após fracassar na tentativa de formar consenso na Assembleia Nacional, fragmentada desde as eleições antecipadas de 2023.

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Hoje, blocos da extrema direita e da esquerda somam mais de 320 dos 577 assentos, enquanto centristas e aliados conservadores do presidente detêm 210, número insuficiente para qualquer maioria. “É preciso pôr o país antes do partido”, afirmou Lecornu em seu discurso de despedida.

A saída imediata provocou reação de adversários. Marine Le Pen, liderança do Reagrupamento Nacional, exigiu novas eleições legislativas ou, no limite, a renúncia de Macron. À esquerda, a França Insubmissa ecoou o pedido, enquanto partidos socialistas, verdes e comunistas voltaram a defender uma frente ampla.

O mercado reagiu negativamente: o índice CAC-40 recuou quase 2% em relação ao fechamento de sexta-feira. Diversos ministros anunciados na noite anterior tornaram-se, subitamente, chefes interinos responsáveis apenas pela rotina administrativa. A reconduzida ministra da Ecologia, Agnès Pannier-Runacher, desabafou na rede X: “Desespero com esse circo”.

Lecornu também foi criticado por recolocar o ex-ministro das Finanças Bruno Le Maire na Defesa. Sob sua gestão anterior, o déficit público atingiu 114% do PIB, com dívida de 3,346 trilhão de euros no primeiro trimestre de 2025. O serviço dessa dívida consome cerca de 7% do orçamento do Estado.

Entre poucas mudanças, o conservador Bruno Retailleau permaneceu no Interior, Jean-Noël Barrot seguiu nas Relações Exteriores e Gérald Darmanin continuou na Justiça. Retailleau culpou Lecornu por falhas de confiança: “Prometeu renovação e entregou velhos cavalos”, disse à TF1.

Analistas ouvidos pela agência Reuters veem opções limitadas para Macron: buscar nova coalizão, convocar eleições ou recorrer a um governo técnico para votar o orçamento sem maioria explícita.

No curto prazo, o presidente precisará de apoio parlamentar para aprovar as contas de 2025 e atender às exigências da União Europeia sobre o endividamento francês — desafio que, agora, parece ainda mais complexo.

Quer entender como a crise política na França pode impactar outras nações? Visite nossa seção BRASIL e acompanhe análises exclusivas.

Crédito da imagem: Global News

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