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Instabilidade nas correntes do Atlântico Norte alarma estudo

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Instabilidade nas correntes do Atlântico Norte alarma estudo

Instabilidade nas correntes do Atlântico Norte alarma estudo divulgado na revista Science Advances indica que o sistema subpolar do oceano pode estar próximo de um ponto de inflexão climático.

Instabilidade nas correntes do Atlântico Norte alarma estudo

Pesquisadores analisaram 25 registros de conchas de moluscos — considerados os “anéis de árvore” do mar — para reconstruir 150 anos de história das águas subpolares. O trabalho mostra que o giroscópio subpolar do Atlântico Norte (SPG), motor auxiliar da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), perdeu estabilidade em dois períodos recentes: pouco antes da reviravolta das correntes nos anos 1920 e a partir da década de 1950, tendência que persiste.

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Segundo a autora principal, Beatriz Arellano Nava, o SPG responde cada vez mais lentamente a perturbações — comportamento típico de sistemas que perdem resiliência. Embora um colapso total seja improvável devido à influência dos ventos, um enfraquecimento parcial já bastaria para intensificar eventos climáticos extremos na Europa e alterar regimes de chuva globais.

Entre os possíveis efeitos apontados estão resfriamento regional do Atlântico Norte, maior sazonalidade climática na Europa Ocidental e mudanças no regime de precipitação em várias partes do planeta, cenário que pode ampliar ondas de calor, secas e tempestades.

A equipe destaca que episódios comparáveis ocorreram antes: no início do século XX e durante a Pequena Era do Gelo (séculos XIII a XIX), quando a desaceleração do SPG contribuiu para prolongar o resfriamento global. A diferença, agora, é o rápido aumento de água doce proveniente do derretimento de geleiras, que reduz a densidade das águas superficiais e ameaça empurrar o sistema para um “ponto sem retorno”.

Parte da comunidade científica, entretanto, permanece cautelosa. O oceanógrafo David Thornalley, da University College London, considera valiosos os dados anuais obtidos nas conchas, mas afirma que ainda faltam evidências diretas de uma mudança operacional no SPG. O debate prossegue, enquanto os autores correm para modelar trajetórias climáticas futuras.

Detalhes metodológicos e a íntegra do artigo podem ser consultados no portal da revista Science Advances, referência internacional em pesquisas climáticas.

Para acompanhar outros impactos das mudanças nos oceanos e seus reflexos no Brasil, visite a nossa editoria dedicada em Minas Informa e fique por dentro das atualizações.

Crédito da imagem: Anton Balazh/Shutterstock

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