Mobilidade para idosos exige ação urgente em Juiz de Fora
Mobilidade para idosos exige ação urgente em Juiz de Fora. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 20% da população juiz-forana tem 60 anos ou mais, percentual que pressiona o poder público a repensar calçadas, semáforos e transporte coletivo para garantir segurança e dignidade a quem envelhece.
Mobilidade para idosos exige ação urgente em Juiz de Fora
Nas manhãs do bairro Mariano Procópio, Dona Zuleika, 78 anos, ilustra o cenário diário de centenas de idosos que caminham com cautela por vias esburacadas. Ela conhece cada desnível do passeio para evitar novas quedas, mas ainda precisa enfrentar degraus altos nos ônibus e apenas 12 segundos de sinal verde para atravessar a Avenida da Glória depois da missa dominical.
O exemplo revela um problema que vai além das estatísticas demográficas. Especialistas em urbanismo alertam que, sem ajustes rápidos, a cidade corre o risco de falhar não só em acessibilidade, mas em humanidade. O conceito de “cidade amiga do idoso”, defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), prevê calçadas niveladas, iluminação adequada, semáforos com tempo ampliado e treinamento contínuo de motoristas do transporte público.
Em Juiz de Fora, a Câmara Municipal discute medidas como:
- Reforma do piso das calçadas em corredores de grande fluxo;
- Ajuste do tempo dos semáforos de 12 para 20 segundos em avenidas centrais;
- Capacitação anual dos trabalhadores do transporte coletivo sobre atendimento ao idoso;
- Criação de audiências públicas periódicas com participação de conselhos de direitos.
Para o sociólogo José Anísio Pitico, autor da coluna “A Pessoa Idosa e a Cidade”, o maior desafio continua sendo cultural. “O etarismo invisibiliza os idosos e posterga soluções simples”, afirma. Ele defende que ouvir as demandas desse grupo em conselhos e sessões plenárias acelera a adoção de políticas inclusivas.
Além de garantir travessias mais longas e calçadas regulares, urbanistas destacam que melhorias para a terceira idade beneficiam toda a comunidade: gestantes, crianças que começam a andar e pessoas com deficiência. “Cuidar do idoso é cuidar de todos”, resume Pitico.
Imagem: Jose Anisio Pitico
No curto prazo, a Secretaria de Obras estuda iniciar reparos em 15 quarteirões do Centro histórico ainda neste semestre. Paralelamente, a Secretaria de Transportes avalia ampliar o tempo de sinalização em oito cruzamentos críticos.
A consolidação de Juiz de Fora como cidade amiga do idoso depende de ações integradas e da mobilização da sociedade. Caso as propostas avancem, moradores como Dona Zuleika poderão seguir sua rotina com mais segurança – passo a passo, mas com dignidade.
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Crédito da imagem: Jose Anisio Pitico














