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Linha 2 do Metrô de BH será entregue em 2026, mas moradores denunciam acidentes e cobram indenizações

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Enquanto governo celebra antecipação da obra, vizinhos das futuras estações Nova Suíça e Amazonas denunciam abandono, insegurança e pedem reparações.

A tão aguardada Linha 2 do Metrô de Belo Horizonte, que ligará o bairro Calafate ao Barreiro, teve sua entrega antecipada para 2026. A notícia foi recebida com entusiasmo pelas autoridades e pela população que enfrentava décadas de promessas não cumpridas. No entanto, o avanço das obras tem provocado revolta entre moradores que vivem no entorno dos canteiros, especialmente nas regiões das futuras estações Nova Suíça e Amazonas.

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Relatos de acidentes graves, poeira constante, barulho excessivo e rachaduras em imóveis vêm se multiplicando desde o início da intervenção. O caso mais grave até agora foi o de um trabalhador terceirizado que teve a perna amputada após um acidente em um dos acessos à obra. Segundo os moradores, o episódio simboliza o despreparo da concessionária responsável e a ausência de uma política de mitigação dos impactos sociais e estruturais.

“Não somos contra o metrô, muito pelo contrário. Mas não é justo sofrer tanto com uma obra pública sem qualquer amparo. Tivemos perdas materiais e emocionais”, disse João Marcos, morador há mais de 30 anos na Rua Caparaó, uma das mais afetadas.

Além dos transtornos físicos, moradores acusam a empresa responsável pela obra, a concessionária que opera em regime de Parceria Público-Privada (PPP), de ignorar as denúncias. “Tentamos diálogo, levamos provas, laudos, mas até agora não fomos atendidos”, afirma Luciana Alves, presidente da associação de moradores do bairro Nova Suíça.

A Prefeitura de Belo Horizonte afirma que está ciente das queixas e que notificou a empresa para apresentar soluções. Já a concessionária informou, por nota, que realiza monitoramento constante das estruturas e que “todos os episódios estão sendo analisados individualmente”. No entanto, não há prazo oficial para indenizações ou reparos nos imóveis atingidos.

O Governo de Minas Gerais, por sua vez, segue destacando os avanços da obra como parte do Programa de Mobilidade Metropolitana. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, a Linha 2 terá cerca de 10,5 km de extensão e deve beneficiar mais de 250 mil pessoas por dia, conectando bairros populosos à rede central de transporte.

Especialistas em urbanismo alertam que grandes intervenções como esta exigem planejamento social equivalente ao técnico. “É essencial ouvir as comunidades impactadas, oferecer compensações justas e garantir que o progresso não venha às custas da dignidade das pessoas”, afirma a professora Mariana Vilela, do Departamento de Engenharia Civil da UFMG.

Enquanto a entrega da Linha 2 é celebrada nos corredores políticos, quem vive ao lado das máquinas e escavações espera, mais do que um novo transporte: aguarda respeito, escuta e justiça.

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