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Juros reagem: Brasília pressiona e mercado perde fôlego

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Juros reagem: Brasília pressiona e mercado perde fôlego

Juros reagem: Brasília pressiona e mercado perde fôlego no fim de uma semana em que o Ibovespa rondou 175 mil pontos, reflexo do ambiente externo adverso e da piora das expectativas fiscais em ano pré-eleitoral.

Juros reagem: Brasília pressiona e mercado perde fôlego

O índice IBC-Br de março, considerado prévia do PIB, registrou retração de 0,7% em relação a fevereiro, exatamente como projetado pelo mercado. O sinal de moderação na atividade, porém, ainda não foi suficiente para aliviar a pressão sobre o Banco Central, que poderá interromper o ciclo de cortes de juros diante da combinação de inflação persistente, risco fiscal elevado e cenário externo desconfortável.

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Grande parte dessa tensão vem de Brasília. O anúncio do governo de novos subsídios para gasolina e diesel ampliou o temor de desequilíbrio nas contas públicas e fez a curva de juros abrir ao longo da semana. Investidores calculam que o programa pode custar bilhões de reais em poucos meses, reforçando a necessidade de ajuste futuro.

No câmbio, o real – que vinha se beneficiando de diferencial de juros alto e dólar global mais fraco – passou a refletir o aumento do ruído político. Com a proximidade das eleições de 2026, qualquer mudança de percepção sobre a condução econômica pesa. O episódio que ligou o pré-candidato Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, revelado pelo Intercept, gerou cautela adicional entre gestores.

Ao mesmo tempo, dados de inflação mais fortes nos Estados Unidos reduziram as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. O fortalecimento do Dollar Index (DXY) reforçou a pressão sobre moedas emergentes, inclusive o real. Segundo projeção da agência Reuters, uma postura mais dura do Fed tende a manter a volatilidade elevada.

A deterioração fiscal também ganhou corpo nas primeiras leituras de pesquisas eleitorais, que mostram vantagem do governo, mas sem clareza sobre impactos de longo prazo. Enquanto isso, analistas veem espaço para eventual rali de alívio se a oposição consolidar proposta considerada “amiga do mercado”.

Por ora, a mensagem do mercado é clara: sem ancoragem fiscal e com política monetária global menos generosa, ativos brasileiros perdem convicção. A dúvida é quanto tempo o Banco Central conseguirá manter a porta aberta para novos cortes antes que a realidade das contas públicas a feche.

Quer acompanhar a evolução do cenário fiscal e seus impactos? Continue lendo nossa cobertura em Brasil e fique por dentro dos próximos passos da economia.

Crédito da imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images

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