Irã ataca vizinhos após ofensiva EUA-Israel
Irã ataca vizinhos após ofensiva EUA-Israel na mais grave escalada regional desde o início do conflito, disparando ondas de mísseis e drones contra Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait e Bahrein.
Irã ataca vizinhos após ofensiva EUA-Israel
Os bombardeios, iniciados no sábado logo depois dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel a alvos em Teerã e outras cidades iranianas, deixaram pelo menos cinco mortos até segunda-feira: três nos EAU, um no Kuwait e outro no Bahrein. Autoridades kuwaitianas confirmaram ainda a morte de dois militares da marinha durante operações de defesa.
No Golfo, a maioria dos projéteis foi interceptada, mas destroços atingiram infraestrutura civil. Em Abu Dhabi, fragmentos danificaram o complexo que abriga a embaixada israelense; em Dubai, dois imóveis residenciais foram afetados pela queda de drones.
A resposta dos países atacados foi imediata. O Ministério da Defesa dos EAU afirmou ter interceptado 174 mísseis balísticos e 689 drones até a madrugada de terça e advertiu que “se reserva o direito de resposta”. Catar, por sua vez, informou à ONU que derrubou dois bombardeiros iranianos e “vários” mísseis, reservando-se ao “direito pleno de retaliação”.
O conflito já provocou incidentes colaterais: durante o fogo cruzado, a defesa do Kuwait abateu por engano três caças norte-americanos; os seis pilotos conseguiram ejetar-se em segurança, segundo o Comando Central dos EUA.
Especialistas apontam que Teerã pretende “aumentar o custo” da guerra para Washington e Tel Aviv ao envolver aliados do Ocidente. Para o professor Rex Brynen, da Universidade McGill, “danificar parceiros dos EUA pode surtir mais efeito do que atingir diretamente forças americanas”. Asher Kaufman, da Universidade de Notre Dame, acrescenta que a estratégia iraniana busca “transformar o confronto em conflito regional” — análise corroborada por reportagens da BBC.
No campo econômico, o ataque com drones à refinaria saudita de Ras Tanura e ameaças à navegação no Estreito de Hormuz já pressionam os preços do petróleo, elevando o risco de uma crise prolongada.

Imagem: Internet
Enquanto isso, drones e mísseis iranianos atingiram bases onde estão posicionadas tropas dos EUA e da União Europeia, em solo saudita, iraquiano e em território dos EAU, reforçando preocupações sobre a segurança dos cerca de 85 mil canadenses atualmente na região, segundo o governo de Ottawa.
A escalada ocorre em meio à descentralização das forças iranianas após a morte do aiatolá Ali Khamenei. Fontes do próprio governo de Teerã admitem dificuldades de comando, reconhecendo que ataques como o registrado no porto de Duqm, em Omã, podem ser iniciativas locais “fora da estratégia principal”.
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Crédito da imagem: AFP/Getty Images















