Hospital-colônia de Barbacena tem fim oficial
Hospital-colônia de Barbacena tem fim oficial após a transferência dos últimos 14 internos para uma residência terapêutica, concluindo um ciclo de 115 anos marcado por superlotação e violações de direitos.
Hospital-colônia de Barbacena tem fim oficial
Barbacena (MG) viveu nesta segunda-feira (25/5) um momento histórico. Os 14 pacientes que ainda permaneciam no antigo hospital-colônia foram instalados em um lar terapêutico no próprio município, com equipe multidisciplinar e atenção integral. Com isso, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) passa a atuar exclusivamente em crises agudas e atendimentos ambulatoriais, conforme as diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
A cerimônia de encerramento contou com o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti; o prefeito Carlos Augusto Soares do Nascimento; a presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Renata Dias; além de ex-pacientes e autoridades regionais. O ato simbólico de trancar, com cadeado, a porta do Pavilhão Antônio Carlos consolidou o compromisso estadual com a memória e o cuidado em liberdade.
Os números dão dimensão da tragédia agora encerrada. Entre 1942 e 2020, 40 mil pessoas passaram pelos pavilhões; cerca de 24 mil morreram. Muitos internos passaram quase meio século confinados; três chegaram antes dos 15 anos. Para Baccheretti, o fim desse modelo “talvez seja o momento mais emocionante” de sua gestão.
Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena para tratamento de tuberculose, o espaço virou hospital psiquiátrico público em 1911. Ao longo do século XX, ganhou notoriedade nacional pela superlotação e registros de violações, hoje preservados no Museu da Loucura. Segundo a presidente do Conselho Estadual de Saúde, Lourdes Machado, “defender a luta antimanicomial e garantir dignidade no fim da vida” torna-se dever de todos.
Desde 2019, o processo de desinstitucionalização retirou 68 usuários do CHPB. Apenas em 2022, 27 pacientes foram encaminhados a residências terapêuticas em Antônio Carlos, Carandaí e Ibertioga. O governo mineiro investiu mais de R$ 718 milhões em saúde mental nesse período; R$ 100 milhões só em 2025. Minas conta hoje com 453 Centros de Atenção Psicossocial, 65 deles voltados a crianças e adolescentes. Dados do Ministério da Saúde reforçam que o Estado figura entre os que mais ampliaram a rede de cuidados comunitários.

Imagem: Internet
Com o antigo hospital-colônia finalmente esvaziado, o CHPB continuará a oferecer assistência psiquiátrica dentro dos protocolos do SUS, sem retomar a lógica de internações prolongadas. A desativação encerra um modelo manicomial e abre espaço para ações pautadas na reinserção social e no respeito aos direitos humanos.
O marco histórico reforça o compromisso de Minas Gerais com a memória e o cuidado humanizado. Para acompanhar outras iniciativas de saúde pública no Estado, visite nossa editoria Brasil e fique informado.
Crédito da imagem: Michèlle Guirlanda
















