Há tempo(s)

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Há tempos não ouço a bela sinfonia do teu coração cujo compasso, outrora, sempre aconchegada em teu peito, fez-se melodia inesquecível, capaz de ecoar em meus mais ousados, insensatos e nostálgicos pensamentos.

Há tempos não recebo abraços voluntários, beijos não mais me são roubados e os carinhos tornaram-se cegos, surdos, mudos e nada táteis. O que há entre nós? Além dos muitos tecidos, claro.

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Há tempos sinto essa mudança de sentimentos e comportamentos. Os fatos são reais, eu sei. Acomodei-me. Aprendi a sentir a tua falta diante de uma presença ausente. Como dói fingir que está tudo bem, enquanto rezo com veemência por um “gesto” teu; o mais simplório e surpreendente possível.

Haverá tempo para vivermos o que perdemos?
“Se ele não sente nem a sua presença, menina, imagina se vai sentir a sua falta?”. “Bobagem sentir saudade sozinha.”
” Vá viver outro amor.”
“Ainda é tempo.”

Há tempos se sabe que a ausência (tal como a sede só se mata com água) tem como remédio a presença. Aquilo que um dia parecia sólido e indivisível suplanta até mesmo as leis da físico-química e vai se dividindo vagarosa e profundamente até que as peças não se juntam mais.

Haverá, pois, um tempo em que tu que tão perto sempre se dispôs da minha total presença, alento e amor, olharás para o lado e verás que é chegada a hora de curar tuas agonias, medos e inseguranças apenas com aqueles mesmos tecidos que, por anos, separaram nossos corpos, isolaram nosso amor, nossas almas e tudo que um dia intimamente chamamos de “nosso”.

Avies, há tempo.

Paz & Bem!

Até breve!

Até super breve!

Lívia Baêta

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