Guerra no Irã pressiona preços dos alimentos no Canadá
Guerra no Irã pressiona preços dos alimentos no Canadá ao elevar o valor do petróleo para mais de US$ 100 o barril, encarecendo fretes e ameaçando aumentar em até 15% a conta dos supermercados no país, segundo especialistas em cadeia de suprimentos.
Guerra no Irã pressiona preços dos alimentos no Canadá
A escalada do conflito travou o fluxo de navios no Estreito de Hormuz, rota por onde passa parte dos alimentos comprados pelo Canadá. Embora o volume importado pelo corredor seja relativamente pequeno, o professor da Universidade de Toronto André Cire alerta que o impacto virá pelo custo do transporte: “A energia está em tudo. Precisamos de combustível para mover navios e caminhões. Se o petróleo sobe, o preço da comida acompanha”.
Cire projeta que, mantendo-se a cotação do petróleo, os canadenses pagarão de 10% a 15% a mais nas gôndolas já até o fim do mês. O economista alimentar da Universidade de Guelph, Mike von Massow, reforça que atrasos e redirecionamentos de cargas tendem a encarecer ainda mais o frete: “Mesmo mercadorias que não passam por Hormuz sofrerão efeito cascata”.
Arroz basmati já sente os reflexos
O produto mais afetado no curto prazo deve ser o arroz basmati indiano. A agência Reuters relata que cerca de 400 mil toneladas do grão estão paradas em portos ou em trânsito, enquanto o custo de contêineres mais que dobrou desde 28 de fevereiro. Como metade das exportações da Índia vai para Oriente Médio e Europa, o redirecionamento pressiona a oferta global.
Segundo Satish Goel, da Associação de Exportadores de Arroz da Índia, 200 mil toneladas estão presas em alto-mar e volume similar segue retido em terminais, sem mercado alternativo capaz de absorver a produção. Em 2023, quando a Índia restringiu vendas para controlar preços internos, a inflação alimentar se espalhou pelo mundo — cenário que pode se repetir se o conflito se prolongar.
Risco de inflação prolongada
Para Cire, uma guerra duradoura teria efeito “desastroso” sobre a inflação global. Relatório de 2022 aponta que dois terços das calorias do planeta vêm de apenas quatro grãos (trigo, arroz, milho e soja), 72% cultivados em cinco países. “Com um canal estratégico estrangulado, a insegurança alimentar aumenta”, observa o professor.

Imagem: Internet
Mesmo que as hostilidades cessassem hoje, Von Massow prevê meses de incerteza nos preços da energia e nas rotas marítimas. “A dúvida sozinha já pesa no bolso”, conclui.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















