GPA acusa Casas Bahia de rigidez em dívida de R$170 mi
GPA acusa Casas Bahia de rigidez em dívida de R$170 mi ao explicar, no pedido de recuperação extrajudicial entregue à 3ª Vara de Falências de São Paulo, que não dispõe de caixa para quitar hoje a cobrança de R$ 170 milhões sem paralisar suas operações.
GPA acusa Casas Bahia de rigidez em dívida de R$170 mi
No documento judicial, o GPA (PCAR3) classifica a Casas Bahia como “inflexível” na exigência da quitação imediata da dívida, reconhecida após decisão arbitral de dezembro de 2025. Em 27 de janeiro deste ano, a varejista ajuizou o cumprimento de sentença e obteve determinação de pagamento até 11 de março de 2026 — prazo que vence hoje.
Sem acordo, o grupo responsável pela bandeira Pão de Açúcar recorreu à recuperação extrajudicial para blindar-se de execuções. A companhia reforça que a desembolso comprometeria o capital de giro e poderia interromper atividades.
Pressão de curto prazo e reação do mercado
O litígio elevou a preocupação sobre a liquidez. Segundo o pedido, custos anuais com fianças e garantias dobraram de R$ 125 milhões em 2024 para R$ 250 milhões em 2025, enquanto ações tributárias seguem pesando no caixa. Às 16h10, os papéis PCAR3 caíam 2,26% na B3, negociados a R$ 2,59, refletindo a cautela dos investidores.
Razões para a recuperação extrajudicial
O GPA atribui o aperto financeiro a três fatores: ambiente macroeconômico adverso, concentração de vencimentos no curto prazo e obrigações contratuais robustas. A Selic a 15%, aliado ao aumento da competição no varejo alimentar, compôs um cenário de alta alavancagem.
O passivo não corrente soma R$ 4,5 bilhões. Caso não haja renegociação, só em 2026 seriam necessários R$ 2,1 bilhões para despesas financeiras e R$ 370 milhões para demais compromissos, montante bem acima da geração de caixa estimada em R$ 699 milhões.

Imagem: Lorena Matos
Histórico de reestruturação
A tentativa de turnaround começou em 2021, com o fechamento dos 100 hipermercados Extra. Entre 2022 e o primeiro semestre de 2025, a estratégia priorizou eficiência operacional, venda de ativos e expansão de lojas de proximidade. No segundo semestre de 2025, a abertura de unidades foi freada, e um plano de corte de custos entrou em vigor, mas a necessidade de equilibrar dívidas tornou-se urgente.
Para especialistas em mercado de capitais ouvidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a recuperação extrajudicial oferece proteção temporária, mas o êxito depende da capacidade do GPA de renegociar a dívida de R$ 170 milhões com a Casas Bahia e alongar outros passivos.
O desfecho das negociações será decisivo para o futuro do grupo. Acompanhe a cobertura completa sobre grandes empresas e reestruturações financeiras na editoria Brasil do Minas Informa.
Crédito da imagem: Wikiacommons















