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Empreendedorismo cresce nas universidades de Minas, mas ainda busca espaço na formação

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Estado tem quatro instituições entre as dez mais empreendedoras do país; desafio é aproximar empresas juniores, extensão e inovação da rotina dos estudantes

Minas Gerais aparece entre os principais polos de empreendedorismo universitário do país no Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras (IESE) 2025. UFMG, Unifei, UFV e UFLA estão entre as dez instituições mais empreendedoras do Brasil, em um levantamento que avalia cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro.

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Para a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), o desempenho das universidades mineiras chama atenção para o papel de empresas juniores, incubadoras, projetos de extensão e ambientes de inovação na formação dos estudantes. O próprio levantamento aponta que, embora 45,1% dos universitários brasileiros já tenham empreendido ou pretendam abrir um negócio, a contribuição da matriz curricular e do modelo de ensino para o desenvolvimento de competências empreendedoras ainda é percebida de forma parcial pelos alunos.

Segundo Vithória Rodrigues, presidente executiva da Brasil Júnior, o avanço de Minas no índice reflete a presença de universidades públicas em diferentes regiões do Estado. Para ela, o diferencial mineiro está na capilaridade de instituições fortes em cidades como Belo Horizonte, Itajubá, Viçosa, Lavras, Juiz de Fora, Ouro Preto e Uberlândia.

“Minas não concentra tudo na capital. O Estado tem polos fortes em diferentes regiões, e essa capilaridade cria ecossistemas empreendedores em múltiplos territórios. Isso mostra o que acontece quando o Movimento Empresa Júnior e as instituições de ensino superior caminham juntos”, afirma.

O IESE 2025 é elaborado pela Brasil Júnior e considera dimensões como cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro.

Para Vithória, o ranking deve ser lido menos como uma disputa entre universidades e mais como uma ferramenta de diagnóstico. “O IESE é muito mais do que um ranking. Ele transforma percepções em dados concretos e ajuda as instituições a enxergarem onde estão e para onde podem avançar”, diz.

A presidente da entidade avalia que o próximo passo é fazer com que a educação empreendedora deixe de ser vista apenas como atividade complementar. Segundo ela, quando as instituições são avaliadas principalmente por publicações e patentes, o empreendedorismo corre o risco de permanecer como uma experiência extracurricular, e não como uma dimensão central da formação.

“O que se mede é o que se valoriza. Se a universidade continua sendo avaliada apenas por publicações e patentes, o empreendedorismo segue tratado como atividade extracurricular. O desafio é reconhecer essa formação como parte da missão das instituições de ensino”, observa.

O debate ocorre em um momento de ampliação da agenda de educação empreendedora no país. Em dezembro do ano passado, MEC e Sebrae anunciaram uma parceria para fortalecer a educação empreendedora e fomentar a inovação em diferentes níveis de ensino, da educação básica à superior.

Em Minas, a rede de empresas juniores também mostra a dimensão prática desse movimento. Segundo a FEJEMG, a Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais, o Estado fechou 2025 com 284 empresas juniores, sete núcleos regionais, mais de 1.750 soluções entregues, 15 projetos de impacto e faturamento de R$ 6,3 milhões.

Para Vithória, esses números indicam que os estudantes já buscam experiências aplicadas durante a graduação. O desafio, segundo ela, é aproximar ainda mais essa vivência do planejamento das instituições.

“A educação empreendedora forma alguém que não espera que o problema seja resolvido por outra pessoa. Ela desenvolve curiosidade, pensamento inovador e disposição para transformar a realidade. Não é uma pauta só do Movimento Empresa Júnior. É uma pauta de desenvolvimento nacional”, avalia.

A discussão também antecede a realização do Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ), que será realizado em agosto, no Mineirinho, em Belo Horizonte. O evento é considerado o principal encontro do Movimento Empresa Júnior no país e conecta jovens de diferentes áreas ao empreendedorismo universitário.

Sobre a Brasil Júnior

A Brasil Júnior é a entidade responsável por coordenar o Movimento Empresa Júnior (MEJ) no Brasil. Como organização sem fins lucrativos, tem a missão de formar líderes empreendedores e conectar estudantes universitários a desafios reais do mercado. Atualmente, o MEJ conta com 25 mil jovens, reúne 1.449 empresas juniores e está presente em 270 instituições de Ensino Superior. Em 2025, o movimento faturou mais de R$ 66 milhões, valor 100% reinvestido na capacitação dos membros.

Sobre a Presidente Executiva da Brasil Júnior
Vithória Rodrigues é presidente executiva da Brasil Júnior, Confederação Brasileira de Empresas Juniores. Atua com foco em relações institucionais e governamentais, advocacy, gestão de parcerias, educação empreendedora e juventude. É graduanda em Administração pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e construiu sua trajetória no Movimento Empresa Júnior com passagens por liderança na FEJECE e na INOVA Empresa Júnior.

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