Dívida do Atlético supera R$ 1,7 bi e exige soluções
Dívida do Atlético supera R$ 1,7 bi e exige soluções abre o balanço de 185 páginas divulgado pelo clube, que confirma um aumento de 29,4% no endividamento bruto entre 2024 e 2025.
Dívida do Atlético supera R$ 1,7 bi e exige soluções
O documento, publicado no Portal da Transparência, mostra que a receita bruta cresceu 14%, alcançando inéditos R$ 768 milhões, impulsionada principalmente pelas vendas de Rubens e Alisson ao futebol do Leste Europeu. Mesmo assim, o passivo total saltou de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,7 bilhão.
Segundo o analista financeiro Pedro Ávila, pelo menos R$ 1 bilhão da dívida do Atlético vence em até 12 meses. Esse montante reúne empréstimos, debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e compromissos com transferências de jogadores. O descumprimento de cláusulas de covenants em CRIs forçou o clube a reclassificar dívidas de longo para curto prazo, encurtando ainda mais o colchão financeiro.
Para construir a Arena MRV, o Galo captou R$ 440 milhões em CRIs, cujo pagamento seria coberto pela própria arrecadação do estádio. A quebra de indicadores previstos nesses contratos antecipou vencimentos também de debêntures, ampliando a pressão de caixa. De acordo com Ávila, o cenário obriga o clube a negociar garantias adicionais com credores, prática comum em operações do mercado financeiro, conforme explica a Valor Econômico.
No campo operacional, o balanço registra prejuízo de R$ 882 milhões. Desse total, R$ 572 milhões decorrem de impairment — reavaliação que reduziu o valor contábil do departamento de futebol em 41%. O especialista ressalta que tal despesa, classificada como financeira, reforça a necessidade de reorganizar o elenco, hoje onerado por salários considerados elevados para atletas em declínio técnico.
Para aliviar a dívida do Atlético, o clube já recebeu parte de um aporte de R$ 530 milhões da família Menin, direcionado exclusivamente à redução do endividamento oneroso. Ávila calcula, porém, que seriam necessários entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões para um ajuste estrutural. Sem isso, a SAF deve continuar a alongar prazos, ofertar novas garantias e, sobretudo, acelerar a venda de jogadores jovens — tendência que pode ocorrer antes mesmo da estreia no time profissional.

Imagem: Pedro Souza
Além do aporte, a receita recorrente da Arena MRV é vista como pilar estratégico. Eventos extra-futebol, a exemplo do modelo do Allianz Parque, podem ampliar faturamento e dar fôlego para investimentos esportivos, segundo o analista.
Embora o quadro seja desafiador, Ávila avalia que a recuperação da reputação de bom pagador, conduzida pelo CEO Pedro Daniel, é o primeiro passo para renegociar dívidas, destravar crédito a custos menores e tornar o Atlético competitivo sem comprometer o orçamento.
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Crédito da imagem: Pedro Souza/Atlético















