Dependência do dólar cresce apesar de desdolarização
Dependência do dólar cresce apesar de desdolarização. Mesmo quando o câmbio aponta um dólar mais fraco, a expansão do crédito global em moeda norte-americana mantém governos e empresas ainda mais atrelados à divisa, segundo análise publicada em 4 de fevereiro de 2026.
Endividamento global amplia demanda por dólares
A cada empréstimo contratado em dólar, cria-se uma obrigação futura de pagamento na mesma moeda. Com o endividamento mundial em patamar recorde, essa dinâmica gera escassez potencial e sustenta a procura pela divisa, contrariando a narrativa de que o mundo estaria migrando para alternativas como euro, iene ou yuan.
O estudo lembra que o dólar não exerce o papel tradicional de reserva de valor — função típica de ouro, por exemplo —, mas atua como moeda de intermediação nas transações internacionais. Essa característica faz com que bancos, fundos e tesourarias de empresas precisem manter saldos expressivos em dólar para honrar compromissos futuros.
Crédito em dólar cria sua própria escassez
Quando o sistema financeiro expande linhas de financiamento na moeda norte-americana, amplia simultaneamente a necessidade de dólares no vencimento. Esse ciclo, segundo especialistas, explica por que períodos de crise costumam ser deflacionários: a corrida por liquidez eleva a procura pela moeda, pressiona ativos de risco e reduz preços.
Relatórios do Fundo Monetário Internacional reforçam a leitura de que a dominância do dólar persiste justamente pela profundidade de seu mercado de crédito e pela segurança jurídica oferecida pelos Estados Unidos.

Imagem: Internet
Desdolarização segue mais discurso que prática
Embora blocos econômicos anunciem mecanismos para negociar em moedas locais, a infraestrutura financeira global — de sistemas de compensação a derivativos — continua ancorada no dólar. Assim, movimentos pontuais de diversificação não reduzem, na prática, a dependência sistêmica.
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Crédito da imagem: Bahia Econômica
















