Crise de combustível em Cuba atinge ponto crítico
Crise de combustível em Cuba atinge ponto crítico e já interfere diretamente no turismo, no fornecimento de energia e na rotina de mais de 10 milhões de habitantes, após a suspensão dos voos da Air Canada por falta de querosene.
Bloqueio de petróleo agrava panorama econômico
A Reuters relata que, desde 2020, a ilha sofre com remessas irregulares de petróleo, agravadas pelo bloqueio dos Estados Unidos às exportações venezuelanas. A ordem emitida pelo então presidente Donald Trump em 29 de janeiro determinou tarifas a países que suprissem Havana, criando um vazio que nem Rússia nem México conseguiram preencher integralmente.
Apagões e racionamento impactam população
Em 2024, todo o território cubano enfrentou um blecaute após a rede elétrica, movida a diesel, ficar sem combustível. Para conter o consumo, o presidente Miguel Díaz-Canel adotou jornadas de trabalho e aulas reduzidas, além de limitar o transporte interprovincial. “Precisaremos de resiliência criativa para superar tempos difíceis”, afirmou em coletiva em 5 de fevereiro.
Turismo canadense em queda livre
Os canadenses, principal mercado do turismo cubano, vêm reduzindo as viagens: foram 754 mil visitantes em 2024, queda de 12 % na comparação anual e longe da média pré-pandemia de 1,3 milhão, segundo a agência estatal ONEI. Com escassez de combustível e de insumos, resorts fecharam temporariamente ou diminuíram reservas, afetando a receita que já alcançou US$ 3 bilhões por ano.
Disputa de narrativas entre Havana e Washington
Díaz-Canel calcula em US$ 7,5 bilhões as perdas causadas por sanções entre março de 2024 e fevereiro de 2025, classificando o bloqueio energético como “guerra psicológica”. Em audiência no Senado, o secretário de Estado Marco Rubio atribuiu a crise à “má gestão de décadas” do governo cubano, citando a necessidade de reformas econômicas internas.
Riscos regionais e dilema para o Canadá
Ex-embaixador canadense em Havana, Mark Entwistle alerta que a pressão dos EUA coloca seu país “numa posição delicada” pela presença de 7 200 cidadãos no território cubano. Ottawa elevou o alerta de viagem em 3 de fevereiro, recomendando “alto grau de cautela” devido a cortes de energia e falta de itens básicos.

Imagem: Internet
Analistas da Universidade da Colúmbia Britânica veem a situação perto de “ponto de ruptura”, temendo vácuo de poder comparável ao do Haiti, caso o regime caia subitamente. Para o professor Max Cameron, “um colapso geraria nova crise de segurança para toda a região”.
No curto prazo, a solução passa por negociações diretas entre Havana e Washington, já aventadas por Díaz-Canel, enquanto a população enfrenta filas por combustível, apagões prolongados e prateleiras vazias de alimentos e medicamentos.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















