Complexa Simplicidade

Complexa Simplicidade

Em verdade, mal consigo conceituar a simplicidade. Aí está, caros leitores, uma definição deveras difícil. Por vezes (não poucas), ouço a palavra no contexto de pobreza material. Simplicidade não é definitivamente  sinal de pobreza. Fato. Fato também que não consigo encaixá-la com “consciência” ao abordar questões de cunho exclusivamente social.  O simples e a simplicidade são complexos e difíceis de atingir.

Ouso, na minha rasa experiência de vida, tentar (tentar, hein!) ver e sentir o mundo da forma simples e ímpar que ele se desenha diariamente perante a mim.

Poxa, Lívia! Que texto é esse? Onde você quer chegar?

Calma! Permaneçam comigo. Vamos refletir um pouco?

Gosto de estar ao lado de pessoas que me completam em sua extensa e intensa SIMPLICIDADE de ser. Não me encantam aqueles que vivem na superfície da vida (os mornos); mas os que vivem na intensidade da alma.

Gosto dos que afirmam com segurança aquilo que desconhecem, mas buscam; gosto dos grandiosos e simples em palavras e ações; gosto de autênticos buscadores que sempre param e pensam: “Qual o significado de tudo isso?”, “Qual é o grande propósito?”; gosto de questionadores que incessantemente buscam as respostas e jamais se convencem de que o CORRETO é imutável, fazendo do “certo” e do “errado” algo flexível e particular.

Não nos enganemos, pois, com a falsa SIMPLICIDADE que nos é imposta pela definição absurda de que para ser apreciado como um ser humano simples é necessário: falar errado, não ter prosperidade alguma, andar mal arrumado e ser o “coitadinho” da pista.

Ainda me encontrarei e desejo que também se encontrem neste contexto da SIMPLICIDADE autêntica na qual existe prosperidade (em termos de trabalho, saúde, dinheiro); felicidade (em termos de romance, amizades e família); cultura (em termos de viagens, livros, música, teatro, filmes, cursos) e liberdade (em termos de espiritualidade, filantropia e o serviço com amor incondicional).

Ter em equilíbrio as 4 áreas acima citadas é ter uma vida que beira à SIMPLICIDADE; é ser verdadeiramente simples; naturalmente simples! Simples assim! Impressionante! Desenvolvemos uma espécie de definição à medida em que discorremos sobre o assunto.

Meu diagnóstico: estou completamente deslocada dentro da minha tenra SIMPLICIDADE.

Sintomas típicos: vazio, fome de saber, sede de falar, ânsia de expressar, necessidade de vir a ser. Posso estar num lugar simples, porém não encontro a SIMPLICIDADE acoplada à ternura, ao amor, à fluidez, ao aconchego. Portanto, não pode ser simples.

De certo que o canto dos pássaros me traz um resquício de SIMPLICIDADE ainda que distante e suave; meu alimento, meu sustento junto às palavras aqui colocadas.

A certeza de agora é que estou aqui, sendo mais ou menos o que sou. Meu prazer é zero. Minha vontade de sair correndo é imensa, mas opto por permanecer e amanhã ou depois (seja quando for) entender o porquê de tudo isso; e tomar decisões, ou melhor, agir como deveria, uma vez que a SIMPLICIDADE que me habita encontra-se em latência; enquanto que a minha mortal COMPLEXIDADE persiste em florir e olvidar as minhas mais “SIMPLES” tomadas de decisões.

Um dia de cada vez. Todos recheados de sintomas variados. O tratamento? Aderir à tarefa de evoluir, enfrentando os efeitos colaterais inerentes a esse processo, com resiliência e por que não SIMPLICIDADE.

Vamos?

Com amor, carinho e gratidão!

Até breve, caros leitores!

Reflitam!

Paz & Bem!

Lívia Baeta de Paula

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