Cometa 3I/ATLAS pode vir de estrela pobre em metais
Cometa 3I/ATLAS pode vir de estrela pobre em metais é a principal conclusão de um estudo publicado no servidor arXiv, ainda em avaliação por pares. A equipe liderada por Cyrielle Opitom, da Universidade de Edimburgo, examinou a composição química do objeto durante sua breve passagem pelo Sistema Solar e encontrou vestígios que apontam para uma origem em uma estrela antiga e de baixa metalicidade localizada na periferia da Via Láctea.
Descoberta e trajetória do 3I/ATLAS
Detectado em julho de 2023 pelo Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), o 3I/ATLAS tornou-se o terceiro corpo interestelar já identificado. Após o periélio, o cometa já se afasta em direção à constelação de Gêmeos, reduzindo a janela de observação para a comunidade científica.
Análise química detalhada
Com o aquecimento solar, o gelo superficial evaporou, liberando gases que puderam ser investigados em alta resolução pelo Very Large Telescope (VLT), no Chile. As medições das proporções isotópicas de nitrogênio e carbono revelaram valores muito superiores aos observados em cometas típicos do Sistema Solar. Segundo os autores, essas “impressões digitais” químicas sugerem condições de formação em ambientes frios, banhados por pouca radiação e praticamente desprovidos de metais.
Possível origem galáctica
Os dados indicam que o 3I/ATLAS possivelmente se formou no disco externo da Via Láctea, região que abriga estrelas mais velhas e metalicamente pobres. Outra hipótese, ainda sob análise orbital, remete ao disco fino da galáxia. Independentemente do local exato, a composição do visitante difere tanto dos cometas do nosso Sistema Solar quanto dos anteriores corpos interestelares, 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov.
Implicações e próximos estudos
Ao fornecer amostras químicas vindas de outro sistema estelar, o 3I/ATLAS amplia o conhecimento sobre a evolução da matéria na galáxia. A própria NASA destaca que cada objeto desse tipo “é uma cápsula do tempo” que preserva condições de formação estelar do passado distante (NASA).

Imagem: NASA
Mesmo já fora de alcance para novos registros, os espectros coletados continuarão a ser examinados pelos pesquisadores, que planejam comparar os resultados com modelos de formação de cometas em diversas regiões galácticas.
Quer se aprofundar em temas científicos? Confira outros conteúdos na seção Brasil e siga acompanhando nossas atualizações.
Crédito da imagem: NASA /Goddard/LASP/CU Boulder















