Em pleno bairro da Cremação, em Belém, um cavalo ferido permaneceu por dois dias aguardando por resgate, após ter sido encontrado em situação de abandono. A cena, além de sensibilizar moradores locais, expõe uma problemática maior relacionada à proteção animal e à transição das práticas tradicionais na capital paraense.
Contexto do abandono e auxílio inicial
O animal foi descoberto por uma moradora da região, que prontamente ofereceu acolhimento temporário ao cavalo enquanto buscava ajuda dos órgãos competentes. Apesar da iniciativa legítima e urgente da moradora, até o momento da publicação, o atendimento oficial ainda não havia acontecido.
A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal (Sepda), informou que enviaria uma equipe para avaliar a situação do cavalo e organizar um espaço adequado para seu abrigo. Contudo, a demora na resposta gerou questionamentos sobre a eficiência dos mecanismos municipais de proteção animal.
Legislação municipal e os efeitos sobre os animais de tração
Desde o começo de 2026, vigora na capital a Lei Municipal nº 9.728/2021, que proíbe a circulação de veículos de tração animal nas áreas urbanas. Esta legislação prevê o fim total da prática no prazo de cinco anos, numa tentativa de reduzir maus-tratos e exploração dos equídeos.
O intuito da lei vai além da proibição: ela estabelece programas de alternativas para gerar renda aos condutores que dependem desses animais, promovendo uma transição mais justa. No entanto, casos como o do cavalo no bairro da Cremação indicam que esse processo ainda enfrenta dificuldades significativas na prática.
Análise: desafios e perspectivas para a proteção animal em belém
O abandono do cavalo ferido na região evidencia uma lacuna importante na proteção e fiscalização de animais na cidade. A demora no atendimento oficial, mesmo com o acionamento da Secretaria Municipal, revela que os protocolos para lidar com emergências envolvendo animais vulneráveis ainda necessitam de aprimoramento.
Além disso, a proibição da tração animal, embora necessária para o bem-estar dos cavalos, impõe uma transformação social e econômica que requer planejamento e suporte efetivo tanto para os animais quanto para seus condutores. Sem essa estrutura, o abandono e maus-tratos podem persistir, ameaçando o sucesso da legislação.
“É fundamental que as políticas públicas não apenas proíbam práticas nocivas, mas ofereçam alternativas reais para a subsistência dos envolvidos e proteção integral dos animais”, destaca especialista em direitos animais.
Outro ponto de atenção é a integração entre órgãos municipais e estaduais. Vizinhos relataram tentativas de denúncia via Centro Integrado de Operações (Ciop), porém não houve confirmação de atendimento imediato. A ausência de uma resposta coordenada fragiliza o combate aos maus-tratos.
Conclusão e recomendações
O caso do cavalo ferido no bairro da Cremação representa um chamado para reforçar os mecanismos de proteção animal em Belém. É urgente que a Sepda e demais órgãos responsáveis aprimorem a rapidez e efetividade na resposta a ocorrências.
É igualmente importante ampliar a conscientização pública sobre a legislação vigente e os canais para denúncias anônimas, como o Disque Denúncia (telefone 181), incentivando a participação cidadã.
Para que o avanço contra maus-tratos seja real, as políticas precisam ser acompanhadas de ações estruturantes, que incluam acolhimento digno para os animais e suporte aos profissionais que trabalham com eles.
Assim, casos como o do cavalo no bairro da Cremação poderão ser minimizados e, quem sabe, erradicados, promovendo uma cidade mais ética e respeitosa com todas as formas de vida.
Referência: g1.globo.com
Revisado em 19 de setembro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.
Fontes consultadas: g1.globo.com
















