Carney e Xi Jinping discutem comércio e segurança no G20
Carney e Xi Jinping se encontram nesta sexta-feira (19) em Busan, na Coreia do Sul, encerrando um hiato de sete anos sem diálogo formal entre os líderes de Canadá e China. O premiê canadense pretende ampliar a pauta para além do comércio, abordando também clima, segurança cibernética e reforma de organismos multilaterais.
Tarifas sobre veículos elétricos no centro das negociações
Em outubro passado, Ottawa impôs tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses, acompanhando medida idêntica dos Estados Unidos. Pequim retaliou com sobretaxas a canola, frutos do mar e carne suína canadenses. Governadores de províncias exportadoras pressionam Carney a suspender o imposto; já Ontário defende mantê-lo para proteger a indústria automotiva em transição verde. O tema deve dominar a agenda econômica, que inclui ainda a ampliação de voos diretos e a venda de petróleo canadense em meio à disputa comercial sino-estadunidense.
Interferência estrangeira e direitos humanos geram tensão
Relatório federal divulgado em janeiro classificou a China como “principal agente” de ingerência em instituições democráticas canadenses, por meio de campanhas digitais de desinformação e ciberataques. Durante debate eleitoral de abril, Carney chamou Pequim de “maior ameaça à segurança” do país. A China rejeita as acusações e diz que faltam provas. A execução de quatro cidadãos canadenses em 2025 e o caso do jornalista Robert Schellenberg, ainda no corredor da morte, devem ser mencionados, assim como a iniciativa canadense contra detenções arbitrárias lançada em 2021.
Taiwan, Ártico e ordem global também entram na pauta
Mesmo aderindo à política de “Uma Só China”, Ottawa intensificou exercícios navais no Estreito de Taiwan, irritando Pequim. No Ártico, a estratégia canadense publicada em dezembro alerta para pesquisas chinesas de uso dual e defende cautela em projetos em águas nacionais. Carney e Xi devem ainda debater a paralisação na ONU e o endividamento de países em desenvolvimento para financiar resiliência climática, tema que ambos apresentam como prioritário, informou a agência Reuters.
No encerramento, Carney confirmou presença na próxima cúpula da APEC, que será sediada pela China em 2026, sinalizando tentativa de reaproximação calcada em “respeito mútuo”, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês.
Imagem: Dylan Roberts The Canad
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Crédito da imagem: Global News















