Canadá precisa de mais diplomatas na Europa, diz Dion
Canadá precisa de mais diplomatas na Europa, diz Dion. O ex-ministro das Relações Exteriores Stéphane Dion afirmou ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que Ottawa deve ampliar “urgentemente” o quadro de funcionários em suas embaixadas europeias e estabelecer prazos claros para implementar os acordos firmados com a União Europeia (UE).
Refôrço diplomático é considerado essencial
Dion, que deixou o posto de embaixador do Canadá na França em janeiro, salientou que os acordos bilaterais nas áreas de defesa, comércio e pesquisa “não podem ficar apenas no papel”. Segundo ele, cada compromisso deve ter um responsável público em ambos os lados do Atlântico, com metas mensuráveis.
O ex-chanceler observou que empresas canadenses ainda não exploram todo o potencial do Acordo Econômico e Comercial Global (CETA), em vigor desde 2017. Para mudar o cenário, recomendou que dois altos funcionários — um canadense e um europeu — sejam designados para acompanhar individualmente cada tratado.
Dion criticou ainda os cortes previstos na diplomacia, revelados recentemente pela imprensa, que atingem postos no exterior três vezes mais que funções em Ottawa. “Nossos recursos já são subdimensionados para um país do G7”, declarou em francês.
Apoio militar e acadêmico reforçam argumento
O antigo chefe do Estado-Maior, general Wayne Eyre, endossou o posicionamento. Em debate na Universidade de Ottawa, ele afirmou que “reduzir diplomatas não é o caminho; devemos ir noutra direção”. O raciocínio, segundo Eyre, é que relações profundas exigem conhecimento regional, o que só se constrói com presença constante.
Dion também rebateu a ideia — recorrente em meio a tensões com os Estados Unidos — de que o Canadá deveria ingressar na UE. Para o ex-ministro, o país perderia soberania e enfrentaria complexas negociações constitucionais. Geneviève Tuts, embaixadora da UE em Ottawa, lembrou que o bloco só aceita integrantes localizados na Europa.

Imagem: Internet
Como alternativa, Dion defendeu a entrada canadense na Comunidade Política Europeia, fórum criado para coordenar respostas à guerra na Ucrânia e a desafios econômicos. Ainda pediu que Ottawa negocie elegibilidade para futuros fundos europeus de pesquisa que substituirão o programa Horizon.
Representantes europeus alertaram, porém, que políticas como “Buy Canadian” e tarifas sobre aço e derivados geram incertezas e podem ferir o CETA. A UE, segundo Tuts, espera que o Canadá reveja medidas que desequilibrem o acesso ao mercado previsto no acordo.
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Crédito da imagem: THE CANADIAN PRESS/Sean Kilpatrick

















