Ataques iranianos a bases curdas geram impasse militar
Ataques iranianos a bases curdas geram impasse militar abalaram o norte do Iraque e reacenderam a discussão sobre se combatentes curdos devem abrir uma nova frente contra Teerã.
Ataques iranianos a bases curdas geram impasse militar
No dia 4 de março, três mísseis Fattah lançados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica atingiram a base do Kurdistan Freedom Party (PAK) nos arredores de Erbil. O ataque matou o veterano Kawan Rashidi, feriu três combatentes e destruiu o escritório do líder Hussein Yazdanpanah. Desde então, os alojamentos foram esvaziados; cães e gatos superam, em número, os poucos homens que ainda patrulham o local.
Os ataques iranianos a bases curdas ocorrem enquanto grupos armados do Curdistão iraquiano ponderam se devem unir-se à guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o governo iraniano. O presidente norte-americano Donald Trump primeiro incentivou a ofensiva terrestre curda, mas recuou e classificou o conflito como “já suficientemente complicado”.
Khalil Kani Sanani, porta-voz do PAK, confirmou conversas com autoridades norte-americanas e israelenses, embora negue qualquer fornecimento de armas. “A força das organizações curdas ficou comprovada quando o Irã decidiu nos bombardear”, afirmou. Para ele, Teerã “está fraco” e teme que os curdos atravessem a fronteira.
Apesar das investidas, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou em 7 de março que interromperia ataques a países vizinhos e buscaria a diplomacia. Horas depois, novas explosões foram ouvidas próximo a Erbil, e outra base em Sulaymaniah foi bombardeada, além do aeroporto regional. O presidente do Governo Regional do Curdistão, Masoud Barzani, reagiu: “Paciência tem limites; a provocação deliberada terá consequências graves”.
Analistas temem que uma ofensiva curda, apoiada por Washington, desencadeie guerra civil e fragmentação étnica no Irã. O Iraque, ainda se reerguendo do Estado Islâmico, resiste a transformar seu território em plataforma de ataques. “Essa cautela tem raízes históricas”, explica Yerevan Saeed, da American University. Segundo ele, os curdos exigem garantias políticas antes de atender às “ordens de marcha” tão aguardadas pelos combatentes.

Imagem: Internet
Enquanto o impasse persiste, os militantes reforçam seus postos e recolhem estilhaços como prova dos bombardeios iranianos. “O povo curdo precisa de liberdade”, resume o lutador Ali Mahmoud Awara. “Estamos prontos, só aguardamos o comando.”
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Crédito da imagem: Stewart Bell/Global News















