Ataques de drones em Erbil intensificam tensão no Iraque
Ataques de drones em Erbil intensificam tensão no Iraque. A escalada de ofensivas contra a capital do Curdistão iraquiano, atribuídas a milícias pró-Irã, provocou novas mortes, feridos e o fechamento do aeroporto internacional, colocando a região no centro de um conflito que não é oficialmente seu.
Ataques de drones em Erbil intensificam tensão no Iraque
No sábado (9.mar.2026), o segurança Walat Mahmoud Tahir, de 31 anos, morreu quando um drone atingiu o aeroporto fechado de Erbil, que também abriga uma base norte-americana. O pai da vítima, Abdullah Mahmoud Tahir, contou ter falado com o filho 90 minutos antes da explosão. “Disse que estaria bem”, lembrou. O grupo denominado Resistência Islâmica no Iraque reivindicou a ação, dizendo agir para vingar as mortes do aiatolá Ali Khamenei e do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.
A série de ataques não poupou alvos civis. No dia 4 de março, um drone atingiu uma igreja próxima ao aeroporto, onde 36 famílias residiam no Complexo Papa Francisco. Jamil Bassam, que trabalhava no local, classificou o ato como “contra os princípios humanos”. Até o consulado dos Emirados Árabes Unidos sofreu um ataque considerado “terrorista e não provocado” por Abu Dhabi, segundo nota oficial.
O barulho constante de explosões e de sistemas antimísseis já se tornou parte da rotina na cidade de pouco mais de um milhão de habitantes. Embora Teerã afirme mirar instalações dos Estados Unidos e de Israel, mosteiros, residências e prédios comerciais também estão na linha de fogo, como mostrou recente análise da agência Reuters.
O presidente do Governo Regional do Curdistão, Masoud Barzani, advertiu que a paciência “está se esgotando”. Ele acusou as facções alinhadas ao Irã de atingirem áreas civis e a infraestrutura econômica do território. Para o ministro regional de Transportes e Comunicações, Ano Jawhar Abdoka, o fechamento do aeroporto representa “enorme prejuízo”: “É nossa principal porta de entrada para eletrônicos e medicamentos”.
Enquanto isso, a população local sofre. Hospitalizado após o mesmo bombardeio que matou Walat, o guarda Nazim Hamad Kanabi relatou que o artefato caiu a poucos metros dele, espalhando estilhaços por pernas, braço, ombro e tórax. Já o canadense Omar Salimomar, em visita à cidade natal, não conseguiu retornar ao Canadá após o início dos ataques e afirma viver sob “nervosismo constante”.

Imagem: Internet
A crise expõe divisões internas do Iraque. A região curda, de maioria étnica distinta e historicamente crítica a Teerã, vê-se acuada tanto pelos bombardeios norte-americanos a milícias xiitas nas proximidades quanto pelos próprios drones dos grupos pró-Irã. “Não podemos ficar à mercê de milícias sem controle”, frisou Abdoka, lembrando que o país ficou “extremamente vulnerável” na guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Apesar de o número de vítimas ainda ser considerado baixo, o temor é de escalada. “Este não é nosso conflito, mas foi colocado sobre nossos ombros”, resume Abdullah Tahir, enquanto velava o filho.
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Crédito da imagem: Family handout















