Anéis de Chiron: brasileiros registram formação inédita
Anéis de Chiron: brasileiros registram formação inédita marca uma conquista da astronomia nacional: pela primeira vez, pesquisadores observaram em detalhe a evolução de um sistema de anéis ao redor de um pequeno corpo do Sistema Solar.
Anéis de Chiron: brasileiros registram formação inédita
Recorrendo à técnica de ocultação estelar, uma equipe de sete países, liderada pelo pós-doutor Chrystian Luciano Pereira, do Observatório Nacional, confirmou que o centauro (2060) Chiron, de 200 km de diâmetro, abriga três anéis densos — Chi1R, Chi2R e Chi3R — situados a 273 km, 325 km e 438 km do núcleo, respectivamente. Um disco difuso se estende por centenas de quilômetros e uma estrutura tênue aparece a quase 1.400 km.
Os resultados foram divulgados na revista The Astrophysical Journal Letters e indicam que o sistema está em plena transformação. Comparações entre dados de 2011, 2018, 2022 e 10 de setembro de 2023 revelam alterações significativas, possivelmente ligadas a uma ejeção de material registrada em 2021, que agora se assenta no plano equatorial de Chiron.
As observações decisivas vieram do telescópio de 1,6 m do Observatório do Pico dos Dias, em Brasópolis (MG), durante campanha coordenada pelo professor Felipe Ribas, da UTFPR, envolvendo 31 pontos de coleta na América do Sul. O estudo integra o projeto internacional Lucky Star e recebeu apoio da Faperj.
Antes de 2014, anéis eram associados apenas a planetas gigantes. Descobertas em Chariklo, Haumea (2017) e Quaoar (2023) mudaram o cenário. Chiron torna-se agora o quarto pequeno corpo com anéis conhecidos, oferecendo uma oportunidade rara para entender a formação dessas estruturas.
A ocultação estelar — um “micro-eclipse” que mede a queda de brilho quando o asteroide intercepta a luz de uma estrela — permitiu mapear com precisão o tamanho de Chiron e a posição de cada anel, reforçando a técnica como ferramenta essencial para futuras investigações.
Imagem: A. Crispim
Novo material pode ser ejetado nas próximas décadas, alterando novamente o sistema e mantendo Chiron como alvo privilegiado da astronomia observacional.
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Crédito da imagem: A. Crispim / UTFPR















