Voa Brasil emite só 1,7% das passagens prometidas
Voa Brasil emite só 1,7% das passagens prometidas desde o lançamento, em julho de 2024. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos indicam 52.135 bilhetes reservados em 17 meses, frente à meta de 3 milhões de passagens nos primeiros 12 meses.
Baixa adesão contrasta com assentos ociosos
O programa do governo federal foi desenhado para vender passagens de até R$ 200 utilizando assentos ociosos das companhias aéreas. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cerca de 30 milhões de lugares ficaram vagos em voos domésticos no período analisado, mas apenas 1,7% da oferta planejada foi consumida.
Falta de transparência em tempo real
Não existe painel público que permita acompanhar a quantidade de bilhetes disponíveis ou vendidos diariamente. O ministério afirma que os sistemas das empresas utilizam algoritmos de precificação dinâmica e que a participação é voluntária, condicionada à ociosidade dos voos. Questionamentos sobre o número de assentos efetivamente liberados não foram respondidos pela pasta.
Público limitado e metas distantes
Na primeira fase, o Voa Brasil contemplou aproximadamente 23 milhões de aposentados do INSS, cada um com direito a dois trechos por ano caso não tenha voado nos 12 meses anteriores. Mesmo com esse universo, apenas cerca de 26 mil beneficiários podem ter sido alcançados até agora, o que representa no máximo 1,73% da projeção oficial.
Ampliação adiada
A segunda etapa, que incluiria estudantes do Pronatec e do Prouni, estava prevista para o primeiro semestre de 2025, mas segue sem data. O governo justifica o atraso alegando inconsistências nas bases de dados desses programas educacionais. Para aposentados, a checagem é feita via INSS e Serpro, considerados “bases confiáveis”.

Imagem: Aleksei Zaitcev
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informa que Azul, Gol e Latam continuam oferecendo passagens dentro do Voa Brasil e se dizem abertas a ajustes. Contudo, sem transparência sobre a quantidade de assentos disponibilizados, especialistas apontam dificuldade para avaliar o real impacto da iniciativa.
O Voa Brasil, anunciado em março de 2023 e lançado 18 meses depois, ainda precisa demonstrar eficácia para cumprir o objetivo de democratizar o transporte aéreo no país. Para acompanhar mais análises sobre políticas públicas, visite nossa editoria Brasil e fique por dentro das atualizações.
Crédito da imagem: Aleksei Zaitcev/Unsplash















