Usina nuclear de Zaporizhzhia opera só com geradores
Usina nuclear de Zaporizhzhia opera só com geradores há mais de uma semana, após nova queda da linha principal de energia. A situação, descrita pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy como “crítica”, faz a maior planta atômica da Europa depender unicamente de geradores a diesel para resfriar seus seis reatores.
Geradores operam acima do limite previsto
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), oito geradores estão em funcionamento, nove permanecem em espera e três passam por manutenção. Há combustível para aproximadamente dez dias, tempo considerado insuficiente para uma instalação projetada para receber energia externa permanente. Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da agência, reconheceu que, embora os sistemas de segurança estejam estáveis, “o cenário não é sustentável”.
Troca de acusações atrasa reparos
Zelenskyy afirma que a artilharia russa impede a reconexão da linha elétrica que abastece a usina nuclear de Zaporizhzhia. Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusa as forças ucranianas de bombardearem a área. O impasse mantém a planta — ocupada por tropas russas desde março de 2022 — sob risco de desligamento dos sistemas de resfriamento, essenciais para evitar superaquecimento dos reatores e das piscinas de combustível usado.
Histórico de cortes de energia e novos temores na Europa
Este é o décimo corte total de energia registrado pela usina desde o início da invasão. Técnicos da AIEA, estacionados no local, relatam alternância de geradores para prolongar sua vida útil. A preocupação internacional cresce em meio a relatos de drones não identificados sobrevoando aeroportos na Dinamarca e outros pontos do norte da Europa, episódios que governos locais associam a possíveis ações de intimidação russa.
A usina nuclear de Zaporizhzhia é uma das quatro em operação na Ucrânia, mas a única sob controle de Moscou. Qualquer falha prolongada dos geradores poderia levar à fusão do núcleo, cenário comparado por especialistas às crises de Fukushima (2011) e Tchernóbil (1986).
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Crédito da imagem: AP Photo















