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UNAIDS cobra Canadá por cortes em saúde global

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UNAIDS cobra Canadá por cortes em saúde global

UNAIDS cobra Canadá por cortes em saúde global. A diretora-executiva da agência da ONU para HIV/AIDS, Winnie Byanyima, pediu ao primeiro-ministro Mark Carney que reverta o plano de reduzir o financiamento externo canadense destinado à saúde mundial.

Reação aos cortes anunciados

Durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, Byanyima classificou a decisão de Ottawa de cortar 17% de sua contribuição ao Global Fund ― programa que combate AIDS, tuberculose e malária nos países mais pobres ― como um retrocesso perigoso. Segundo ela, “sem solidariedade global, a desigualdade entre nações se aprofunda e o mundo se torna mais inseguro”.

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Contexto orçamentário

Os cortes seguem a previsão do orçamento federal canadense, que impõe redução de CA$ 2,7 bilhões na ajuda externa ao longo de quatro anos. Carney argumenta que o ajuste devolve os gastos ao nível pré-pandemia e garante “decisões pragmáticas e responsáveis”. Apesar disso, o governo sustenta que o valor ainda representa parcela significativa do total investido pelo fundo.

Impacto sobre o combate a doenças

O Global Fund financia desde redes de mosquiteiro até antirretrovirais, iniciativas consideradas essenciais pela UNAIDS para evitar novos surtos. A agência alerta que a falta de recursos pode agravar a estimativa de duas mil novas infecções por HIV por dia, sobretudo em regiões de baixa renda.

Desigualdade em debate no G20

No mesmo evento, Byanyima apresentou relatório encomendado pelo governo sul-africano que associa polarização econômica à perda de coesão política e à ascensão do autoritarismo. O documento recomenda reformar sistemas financeiros e combater a evasão fiscal para impedir que países em desenvolvimento fiquem presos a dívidas agravadas por juros altos e desastres climáticos.

Repercussão política

A ministra das Relações Exteriores, Anita Anand, declarou que a contribuição canadense “continua significativa”, lembrando que a África permanece como maior destinatária da ajuda do país. Já o deputado Alexis Brunelle-Duceppe, do Bloc Québécois, criticou o que considera um afastamento da tradição canadense de priorizar direitos humanos em sua política externa.

Próximos passos

Com o Dia Mundial da AIDS se aproximando, defensores da saúde pública ressaltam que ferramentas para pôr fim à pandemia já existem, faltando apenas recursos para levá-las a quem precisa. A economista indiana Jayati Ghosh reforçou a necessidade de permitir que nações mais pobres produzam medicamentos essenciais, bloqueados por patentes que elevam custos.

No momento em que a comunidade internacional discute financiamento e equidade, a pressão sobre Ottawa deverá aumentar. Continue acompanhando a cobertura completa em nossa editoria Brasil e saiba como decisões globais impactam a saúde pública.

Crédito da imagem: The Canadian Press

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