EUA: Trump classifica PCC e CV como grupos terroristas
Trump classifica PCC e CV como grupos terroristas. O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, medida que entra em vigor em 5 de junho.
Ação amplia lista para 14 grupos na América Latina
Desde que Donald Trump reassumiu a Casa Branca, em 2025, o Departamento de Estado já rotulou 14 grupos criminosos latino-americanos como terroristas. A relação engloba seis organizações mexicanas, duas venezuelanas, duas equatorianas, uma salvadorenha, uma colombiana e, agora, as duas brasileiras. Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, a designação facilita o congelamento de ativos, investigações e sanções financeiras, além de restringir vistos e criminalizar qualquer apoio material às facções.
Rubio afirmou que as redes ilícitas do PCC e do CV “ultrapassam as fronteiras do Brasil e alcançam os Estados Unidos”, reforçando que Washington utilizará “todas as ferramentas disponíveis” para conter o fluxo de drogas e recursos que financiam o narcotráfico. O texto oficial pode ser consultado no site do Departamento de Estado norte-americano.
Pressão política e atrito diplomático
A decisão ocorre mesmo sem o aval do governo Luiz Inácio Lula da Silva e foi defendida publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. A discordância tornou-se tema sensível nas conversas preparatórias da recente visita de Lula a Washington. O Planalto teme que a classificação abra espaço para operações militares unilaterais dos EUA na região.
Interlocutores brasileiros citam ainda o risco de sanções ao sistema financeiro nacional, caso recursos provenientes das facções circulem em bancos do país sem detecção prévia. Em episódios anteriores, o Comando Sul das Forças Armadas americanas atacou embarcações ligadas a cartéis venezuelanos e mexicanos após designações semelhantes.
Escudo das Américas e próximos passos
Duas nações alinhadas a Trump, El Salvador e Equador, já integram a coalizão político-militar Escudo das Américas, lançada em março com apoio de 17 países para combater o crime organizado transnacional. Flávio Bolsonaro declarou que, se eleito, pretende incluir o Brasil no bloco.

Imagem: Estadão Cteúdo
Enquanto isso, o Itamaraty não se manifestou oficialmente. Nos bastidores, diplomatas avaliam estratégias para mitigar eventuais impactos econômicos e de soberania associados à nova classificação.
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Crédito da imagem: Unsplash/@kronemberger















