Trump adia viagem à China por foco na guerra do Irã
Trump adia viagem à China por foco na guerra do Irã, informou o presidente dos Estados Unidos ao receber o primeiro-ministro irlandês Micheál Martin. Em vez de viajar no fim do mês, Donald Trump pretende ir a Pequim dentro de “cinco ou seis semanas”, decisão que ele classificou como um “reinício” do encontro com Xi Jinping.
Visita posterga trégua comercial e amplia pressão militar
A ida de Trump era considerada passo crucial para consolidar a trégua tarifária firmada no último outono entre as duas potências. Porém, a escalada do conflito contra o Irã e a necessidade de supervisionar as operações no Estreito de Hormuz alteraram a agenda. O corredor marítimo concentra cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Desde o fim de semana, o republicano pressiona China, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e França a enviarem navios de guerra para garantir o fluxo de petróleo. Ele argumenta que Pequim consome 90% do óleo que atravessa o estreito, enquanto os Estados Unidos dependem “minimamente” da rota.
Na segunda-feira, Trump declarou ter solicitado formalmente o adiamento da missão diplomática “cerca de um mês” devido às “demandas da guerra”. Mesmo assim, garantiu que Washington não precisa de ajuda militar externa caso os aliados recusem o convite.
Negociações econômicas continuam nos bastidores
Apesar do adiamento, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reuniu-se em Paris com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, para preparar a futura cúpula. Segundo Bessent, a mudança decorre apenas de logística, não de tentativa de pressão adicional sobre Pequim.
A chancelaria chinesa adiantou na semana passada esperar “um ano histórico” nas relações bilaterais e reafirmou disposição para encontrar soluções “a meio caminho”. Trump, que já visitou a China em 2017, aceitou novo convite de Estado após a trégua comercial.
Impacto interno e realinhamento energético
A guerra empurrou os preços do petróleo para cima em pleno ano eleitoral, quando o custo de vida preocupa eleitores americanos. Para conter os efeitos, Trump autorizou o uso de reservas estratégicas e suspendeu sanções sobre o petróleo russo, movimento que antes condenava.

Imagem: Internet
Ao adiar a viagem, o presidente reforça a narrativa de que EUA e Israel assumem “um favor ao mundo” e que outras nações devem fazer sua parte. A resposta até agora tem sido cautelosa, e aliados europeus evitam aderir à operação militar liderada por Washington.
No curto prazo, a postergação coloca em compasso de espera a consolidação do acordo tarifário, mas mantém a porta aberta para que Trump e Xi retomem o diálogo nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca
















