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Transplante de córnea: espera dobra e chega a 374 dias

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Transplante de córnea: espera dobra e chega a 374 dias

Transplante de córnea: espera dobra e chega a 374 dias é o alerta do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que divulgou, durante o 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba, novo balanço do Sistema Nacional de Transplantes. O tempo médio na fila subiu para 374 dias em 2025, contra 174 dias registrados dez anos antes.

Transplante de córnea: espera dobra e chega a 374 dias

De janeiro a junho deste ano, a média já alcançava 369 dias, confirmando a tendência de alta. Entre os fatores apontados pelo CBO estão a falta de reajuste dos valores pagos aos procedimentos, o impacto prolongado da pandemia de Covid-19 e o aumento de custos em dólar que pressiona os bancos de olhos. “Recebemos hoje o mesmo montante de uma década atrás, mas com exigências muito maiores”, resumiu a entidade.

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As disparidades regionais chamam atenção. Em 2024, Acre, Alagoas e Rio Grande do Norte superaram mil dias de espera, e o Rio de Janeiro chegou a 1.424 dias. Na outra ponta, Ceará apresentou apenas 58 dias, seguido por Santa Catarina (164), Mato Grosso (227), Amazonas (243), São Paulo (247) e Paraná (256). Essa diferença revela a necessidade de políticas específicas para cada estado, segundo especialistas.

Até julho, 31.240 pessoas aguardavam um transplante de córnea. São Paulo concentrava 6.617 pacientes, Rio de Janeiro 5.141 e Minas Gerais 4.346. Do outro lado, Mato Grosso contabilizou 55 inscritos e o Ceará 58. Mulheres representam 55,7% da fila e quase metade dos cadastrados tem 65 anos ou mais – reflexo do envelhecimento da população e do avanço das doenças degenerativas da córnea. Jovens entre 18 e 34 anos respondem por 17%, sobretudo devido ao ceratocone; 458 inscritos são crianças ou adolescentes.

De 2015 a julho de 2025, foram realizados 150.376 transplantes de córnea no Brasil. São Paulo liderou com 52.913 cirurgias, seguido por Ceará (10.706), Minas Gerais (10.397), Paraná (9.726), Rio Grande do Sul (6.895) e Goiás (6.533). Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país mantém desempenho equivalente ao de Canadá e Austrália, mantendo-se como referência latino-americana à frente de Argentina, Chile, Colômbia e México.

Ainda que o cenário seja desafiador, o CBO reforça que reorganizar o financiamento dos bancos de olhos e padronizar protocolos pode reduzir significativamente a fila. Especialistas defendem também campanhas permanentes de conscientização para ampliar a doação de córneas e agilizar o processo de captação.

Para acompanhar outras análises sobre saúde pública e políticas de doação, visite nossa editoria Brasil e fique por dentro das últimas atualizações.

Crédito da imagem: Agência Brasil

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