Tornado no Paraná atinge categoria F3 e deixa seis mortos
Tornado no Paraná atinge categoria F3 e deixa seis mortos e pode figurar entre os dez mais intensos já documentados no Brasil, segundo pesquisadores.
Tornado no Paraná atinge categoria F3 e deixa seis mortos
O fenômeno climático que alcançou a região Centro-Sul do Paraná na noite de 7 de junho foi resultado direto de um ciclone extratropical que castigou o Sul do país. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o tornado no Paraná registrou ventos de até 250 km/h e foi classificado como F3, numa escala que vai de 0 a 5.
Até o sábado seguinte, autoridades estaduais confirmaram seis vítimas fatais e atenderam 750 feridos. Rio Bonito do Iguaçu foi o município mais afetado: aproximadamente 90 % de suas edificações sofreram danos graves, levando ao adiamento da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo, 9 de junho.
Para o doutor em geografia Daniel Henrique Cândido, da Unicamp, o evento pode integrar o grupo dos dez tornados mais fortes do Brasil. Em entrevista ao portal g1, o pesquisador lembrou que o país já contabiliza episódios severos, como o de Itu (SP), em 1991, com 15 mortos, e o de Almirante Tamandaré (PR), em 1992, também classificado como F3.
Na tese defendida em 2012, Cândido catalogou 205 tornados ocorridos entre 1990 e 2011 e propôs a Escala Brasileira de Ventos (Ebrav), que vai de 0 a 7. Pelo critério nacional, o tornado no Paraná chegaria ao nível 6, capaz de derrubar casas de alvenaria, arrastar veículos e comprometer torres de alta tensão.
O especialista reforça que a América do Sul é a segunda região de maior risco para tornados no mundo, atrás apenas do chamado “corredor dos tornados” dos Estados Unidos. A combinação de terreno plano e corredores de ar formados pela Cordilheira dos Andes e pela Serra do Mar favorece a formação de tempestades severas no Centro-Sul brasileiro, Paraguai e norte da Argentina.

Imagem: Governo do Paraná
Embora menos frequentes que na América do Norte, esses eventos no Brasil podem ser igualmente destrutivos, pois as construções em concreto e tijolo, mais pesadas, provocam impactos maiores ao desabar. Para Cândido, a cultura de prevenção — que inclui monitorar previsões meteorológicas e planejar abrigos seguros — precisa ser ampliada.
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Crédito da imagem: Governo do Paraná/Reprodução















