Tempo negativo quântico é confirmado por cientistas
Tempo negativo quântico é confirmado por cientistas, segundo estudo publicado na revista Physical Review Letters, após medições inéditas que mostraram fótons saindo de uma nuvem de átomos antes mesmo de entrarem.
Tempo negativo quântico é confirmado por cientistas
Pesquisadores da Universidade Griffith, na Austrália, registraram uma das previsões mais estranhas da mecânica quântica: sob condições específicas, a luz parece percorrer distâncias negativas no tempo. O fenômeno, que não implica viagem temporal, reforça a natureza contraintuitiva do mundo subatômico.
Quando um pulso de luz incide sobre uma nuvem atômica, parte dos fótons é absorvida, convertendo-se em energia que excita os átomos. Depois, a luz é reemitida, com alguns fótons seguindo adiante e outros se espalhando em direções variadas. Desde 1993, medições apontavam que os fótons transmitidos chegavam ao detector antes do centro do pulso atingir o meio, sugerindo tempo de trânsito negativo. A hipótese, porém, poderia ser explicada pela simples preferência de passagem dos fótons que estavam na frente do pulso.
Para eliminar essa dúvida, a equipe liderada por Howard Wiseman adotou uma estratégia inversa: em vez de cronometrar os fótons, monitorou os átomos. Um segundo laser foi utilizado para medir quanto tempo cada átomo permanecia excitado, revelando a duração exata em que o fóton ficava “armazenado” nele. Esse método exigiu medições fracas – menos intrusivas, porém extremamente ruidosas – repetidas em 1 milhão de execuções ao longo de 70 horas para extrair um sinal estatisticamente confiável.
O resultado confirmou o paradoxo: os próprios átomos indicaram um armazenamento temporal negativo. “Se perguntarmos aos átomos ‘por quanto tempo o fóton ficou com você?’, eles também respondem com um valor negativo”, destacou Wiseman ao portal Live Science. A próxima etapa será investigar os fótons espalhados, que, segundo a teoria, devem exibir um tempo de excitação positivo suficiente para compensar o balanço global.

Imagem: Internet
Apesar da surpresa, o achado não viola a relatividade nem abre caminho para máquinas do tempo. Ele apenas reforça que, mesmo após cem anos de estudos, a interação entre um único fóton e um punhado de átomos ainda guarda surpresas fundamentais para a física.
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Crédito da imagem: Live Science















