Taxa de carbono no transporte marítimo sofre bloqueio dos EUA
Taxa de carbono no transporte marítimo sofre bloqueio dos EUA foi o desfecho da reunião da Organização Marítima Internacional (IMO) em Londres, encerrada na sexta-feira ( ). Sob pressão de Washington, a proposta que criaria a primeira cobrança global sobre emissões de gases de efeito estufa no setor naval acabou adiada por um ano.
EUA lideram aliança contra a cobrança global
Os delegados buscavam aprovar um padrão de combustível marinho que reduziria gradualmente o total de CO2 permitido e, sobretudo, instituiria uma taxa sobre cada tonelada de emissões acima do limite. A estimativa era arrecadar de US$ 11 bilhões a US$ 13 bilhões anuais para financiar tecnologias de navegação limpa e apoiar países em desenvolvimento.
O presidente norte-americano Donald Trump classificou o mecanismo como “nova fraude verde” e, pela rede Truth Social, pediu voto contrário. O secretário de Estado Marco Rubio reforçou a posição no X (antigo Twitter), ameaçando sanções e restrições de visto a governos favoráveis à medida. Arábia Saudita, entre outros, apoiou o bloqueio, e mais da metade dos 175 Estados-membros votou por suspender o debate.
Reação internacional e impacto climático
Canadá declarou, por meio do porta-voz Hicham Ayoun, que continua comprometido “com a ação climática no transporte marítimo” e trabalhará em parceria com os EUA, mas não comentou possíveis retaliações comerciais. Para o ministro de Mudanças Climáticas de Vanuatu, Ralph Regenvanu, a decisão é “inaceitável diante da urgência climática”.
Organizações como a Transport & Environment lembram que a navegação responde por cerca de 3 % das emissões globais e que o adiamento mantém o setor “à deriva”. A IMO, agência da ONU que regula o transporte marítimo, tem meta de emissões líquidas zero até 2050 e, segundo o secretário-geral Arsenio Dominguez, os países agora têm “um ano para negociar e alcançar consenso”. Mais detalhes sobre a missão da IMO podem ser encontrados no site oficial imo.org.
Próximos passos até 2025
Sem a taxa, navios continuarão queimando óleo combustível pesado, que libera CO2 e poluentes. Especialistas alertam que atrasar o marco regulatório mina a credibilidade de acordos climáticos multilaterais. Emma Fenton, da ONG britânica Opportunity Green, ressalta que a cooperação global é vital para “provar que metas climáticas podem ser alcançadas”.
Imagem: Sibi Arasu And Jennifer Mcdermott
Ao fim da sessão, Dominguez exortou os países a retornarem com “um ‘sim’ mais forte”. O tema voltará à pauta na próxima assembleia, prevista para 2025, quando se espera definir o padrão de combustível e o sistema de precificação.
O impasse evidencia a tensão entre ambições climáticas e interesses econômicos. Continue acompanhando a cobertura sobre meio ambiente e política internacional em nossa editoria Brasil.
Crédito da imagem: Global News















