Sete Magníficas valem mais que PIB do bloco europeu
Sete Magníficas valem mais que PIB do bloco europeu — o grupo formado por Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla atingiu capitalização de mercado de US$ 20,8 trilhões até 2 de maio, acima dos US$ 19,4 trilhões produzidos pela União Europeia em todo o ano passado.
Sete Magníficas valem mais que PIB do bloco europeu
Apenas a Nvidia, avaliada em cerca de US$ 4,3 trilhões, já iguala o Produto Interno Bruto da Alemanha, maior economia europeia. O feito reacendeu o debate sobre possível repetição da bolha das pontocom de 2000, quando preços se distanciaram dos fundamentos econômicos.
Para o ganhador do Nobel Robert Shiller, bolhas são alimentadas por narrativas de enriquecimento rápido que se espalham como “contágio social”. Em Irrational Exuberance, o economista ressalta que o entusiasmo coletivo leva investidores a ignorar riscos. O conceito é reforçado por Hyman Minsky, que atribuía à especulação o domínio dos preços em momentos de euforia.
No cenário atual, a narrativa dominante é a inteligência artificial. Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, o índice Nasdaq 100 avançou 140 %, bem abaixo, porém, dos 500 % registrados na escalada pré-pontocom. Para Jordi Visser, estrategista da 22V Research, falar em bolha é precipitado porque o investimento em IA “é uma corrida estrutural, impulsionada por interesses de segurança nacional e econômica”.
Os múltiplos preço/lucro indicam algum fôlego: com exceção da Tesla, negociada a 220 vezes seus lucros projetados, as demais empresas exibem P/L entre 24,8 e 33,3, abaixo da média do próprio Nasdaq 100, atualmente acima de 40. Ainda assim, o peso concentrado das gigantes preocupa analistas.
Segundo a Euronews, o fluxo recorde para ETFs temáticos de IA e a valorização de startups do setor já sugerem tensão crescente. Caso um choque regulatório ou macroeconômico ocorra, a correção poderia ser rápida, repetindo ciclos históricos.
Imagem: rarrarorro
Mesmo que não se confirme como bolha, o fato de sete companhias valerem mais que toda a produção anual da União Europeia ilustra a mudança do centro de gravidade econômico para a tecnologia norte-americana na era digital.
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Crédito da imagem: rarrarorro/Shutterstock














