Sem Filtros: O culto ao inalcançável nas redes sociais.

Sem Filtros: O culto ao inalcançável nas redes sociais.

A observação minuciosa do Ser Humano é inspiradora! Tenho o “hábito” automático de observar as pessoas nas suas profundezas ( saliento aqui que sem quaisquer tipos de julgamentos). Apenas por amar demais esta raça tão inquietante, impetuosa, previsível, paradoxal e misteriosa que é a Raça Humana.

Nos últimos dias algo vem me intrigando: a obsessão pelos stories do instagram.
Aqueles nomeados “Influenciadores digitais, blogueiros, coach de lifestyle, youtubers e outros” postam em suas plataformas virtuais fotos, vídeos em que há uma felicidade desmedida 24 horas por dia. Felicidade essa diretamente ligada a uma aparência impecável, luxo, viagens fantásticas, procedimentos estéticos dos mais variados, relacionamentos perfeitos e de quebra uma vida familiar “a la” comercial de margarina. E por aí vai. Sim, esse é o trabalho deles. Mas, temos que ter cuidado.

Observei o quanto as pessoas do outro lado da tela estão vidradas e viciadas em assistir a tudo isso todos os dias. Perdoem-me, mas não vejo isso como algo saudável.

Telespectadores da vida alheia, enquanto em suas vidas não são nem coadjuvantes, quiçá protagonistas. Meu Deus! Seriam meros figurantes?
Fazer figuração neste cenário absurdamente lindo que é a nossa VIDA? Não podemos permitir. É preciso arrancar os filtros.

“Oras Lívia! Você não conhece fulano, beltrano, ciclano?Aquela blogueira, sua pateta! Em que mundo você vive, menina?”
No meu mundo. No mundo real. Mundo esse recheado de outros mundos, afinal não existo; eu co-existo. E neste mundo eu faço questão de ser a protagonista. Vivendo a minha história cheia de altos e baixos, desafios e curvas tão acentuadas quanto as que carrego orgulhosamente no meu corpo físico. Construindo o meu legado. Sendo eu mesma. A menina mulher que há poucas semanas descobriu que a moda “tie dye” é a sensação do momento (pasmem: não tenho nenhuma peça neste estilo no meu closet! Bom, nem tenho closet!) , pois estava distraída e ocupada escrevendo, lendo, sendo mãe, trabalhando, aprendendo, ensinando, surtando, chorando, errando, lidando com uma terrível constipação, sonhando e amando.

Percebi que na sociedade contemporânea, com a expansão da mídia, aumentou o impacto na mentalidade e no modo de vida da população.

As blogueiras de plantão, por exemplo, têm uma vida, uma rotina fora da realidade da maior parte das mulheres (claro que podemos incluir os homens também). E a vida que elas expõem como “ideal” (lembrando que a concepção de ideal é relativa) é inatingível pela maioria.

Nós mulheres da vida real não temos como acordar, meditar, alongar, ir a academia e fazer aplicação lipoenzimatica antes de passar na manicure e naquela boutique para pegarmos aquela peça que vimos nos stories pela manhã e que “temos” que ter porque todas têm (o que não é nada original).

Não! Nós acordamos cedo, vamos ao trabalho ou a faculdade, se somos casadas, precisamos manter a casa em ordem, se temos filhos, precisamos cuidar, educar e muito mais!! Ufa!!!!

E sabe o que muitas de nós sentem ao ver aquela vida plena, luxuosa, requintada e perfeitinha? Frustração. Sentimento de culpa. Impotência. Sentimentos esses que muitas vezes nos levam a desenvolver uma profunda tristeza (afinal, por que essas pessoas têm tudo e nós não?) que não obstante culmina em uma depressão, compulsões, distúrbios alimentares e até mesmo em auto-exterminio.

Então, vemos jovens cada dia mais depressivos, pessoas cada vez mais imediatistas, profissionais mais frustrados e, a vida real, que era para ser a vida realmente boa, mesmo com os seus tropeços (que nos levam literalmente para frente), vai sendo vista como a cruel vilã de toda a história.

Meu apelo aqui, queridos leitores, é para que tenhamos a consciência de que SER é mais importante do que PARECER. Vamos nos assumir, nos amar, nos cuidar e construir um legado. Não nos auto destruir para estar nos padrões da sociedade efêmera do espetáculo, mas nos nutrir do que é duradouro, daquilo que com o tempo permanece, que não sai de “moda”. Investir na nossa obra, servindo a humanidade com o nosso trabalho. Um trabalho que agrade às pessoas, porém que não as engane e não as leve a procrastinação de seus sonhos ou a total desistência deles.

Parabéns aos que leram até aqui! Afinal, em uma sociedade de 1 caractere, quem se atreve a mergulhar em muitos merece sim muitos aplausos! A maioria tem preguiça de ler, infelizmente.

Seja você! Seja Luz! Cuide-se!
Tenha a sutil capacidade de amar não só suas qualidades, mas também os seus defeitos, afinal, como disse Clarice Lispector, não sabemos qual deles de fato nos sustenta e nos mantém em pé!

Observação: Deixo claro que o posicionamento frente às redes sociais consiste em atingirmos o equilíbrio. Nada de extremos. A era cibernética é tão interessante quanto fundamental nos tempos atuais, mas é preciso olhar crítico.

Gratidão!

Até breve! Até muito breve!

Com amor,

Lívia Baeta

Este post tem um comentário

  1. Ana Cristina

    Amei! É bom ler seus textos, fazem a gente pensar.

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