Selic a 15% segue firme: BC adia corte até ver inflação
Selic a 15% segue firme: BC adia corte até ver inflação é a mensagem que o Banco Central transmitiu após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, ao manter a taxa básica em 15% ao ano e reforçar que pretende permanecer no campo contracionista por período prolongado.
Selic a 15% segue firme: BC adia corte até ver inflação
Para o gestor de renda fixa Ian Lima, do Inter Asset, a autarquia opta por “dançar a música” da melhora desinflacionária antes de qualquer virada no rumo dos juros. Segundo ele, a estratégia é extrair o máximo dos efeitos da política restritiva sobre as expectativas de inflação, evitando movimentos precipitados que possam minar a credibilidade da autoridade monetária.
Lima afirmou durante o Inter Invest Summit 2025 que os primeiros sinais de alívio já aparecem nas projeções de preços de médio e longo prazo, embora ainda de forma lenta. “A retórica firme está funcionando no campo das expectativas, mas a atividade econômica continua aquecida, o que justifica a cautela”, destacou.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, acrescentou que a trajetória das expectativas dependerá também do cenário fiscal. A definição do Orçamento de 2026 será crucial, pois a fase de discussão de medidas aumenta a incerteza. “Quando houver maior clareza sobre o fiscal, poderemos ver uma ancoragem mais sólida”, disse.
Vitoria lembrou ainda que o câmbio tem contribuído para conter a inflação, mas avaliou que o Banco Central tende a esperar uma consolidação mais evidente dessa tendência antes de alterar a postura. Na visão do Inter, há espaço para o início de ajustes apenas em janeiro de 2026 – e mesmo assim, distante do antigo patamar de 8% ao ano. “Será uma transição, não uma guinada”, resumiu Lima.
Dados públicos do Banco Central mostram que o atual ciclo de aperto levou a Selic do piso de 2% em 2021 para os atuais 15%, nível mais alto desde 2016. O objetivo declarado é trazer a inflação para a meta de 3% ao ano de forma sustentável.
Imagem: Giovana Leal
No curto prazo, investidores devem monitorar a evolução das despesas públicas e o comportamento do dólar, variáveis consideradas decisivas para o calendário de cortes. Enquanto isso, a orientação oficial permanece: juros elevados até que a desinflação se prove robusta.
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Crédito da imagem: REUTERS/Adriano Machado















