O velório de um dos grandes nomes do samba brasileiro será realizado neste sábado (9/9), a partir das 18h, na quadra de uma tradicional escola de samba de Madureira, zona norte do Rio de Janeiro. A despedida seguirá o formato do gurufim, um ritual de origem africana que mistura luto e celebração.
Segundo a agremiação responsável pela homenagem, a cerimônia se estenderá até as 10h de domingo e contará com música, dança, bebidas e um clima de confraternização — características marcantes dessa tradição trazida ao Brasil por pessoas africanas escravizadas.
O gurufim tem raízes culturais profundas e, de acordo com especialistas, seu nome faz referência ao golfinho, animal que, em algumas tradições africanas, é visto como condutor das almas ao mundo espiritual. No passado, durante a celebração, era comum que os presentes fizessem perguntas em tom lúdico, como “gurufim veio?”, enquanto um coro respondia de forma ritmada, mencionando outros animais marinhos.
Essa forma singular de se despedir já foi registrada em velórios de importantes figuras do samba e da cultura brasileira, sempre marcada pelo encontro entre a tristeza da perda e a alegria da música. A proposta é transformar o momento de luto em um tributo vivo, onde a arte e a memória do homenageado continuam a pulsar.
No repertório de compositores e intérpretes do gênero, o gurufim já foi tema de sambas que exaltam a importância de celebrar a vida de quem partiu. As letras destacam que a tradição africana ensina a cantar “de qualquer maneira” como forma de manter viva a energia e a história daqueles que contribuíram para o legado cultural.
A cerimônia deste fim de semana promete reunir amigos, familiares e admiradores para um último adeus, reafirmando a força das tradições afro-brasileiras no samba e na identidade cultural do Rio de Janeiro.
















