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Salários baixos na inteligência artificial expõem rotina

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Salários baixos na inteligência artificial expõem rotina

Salários baixos na inteligência artificial estão por trás do trabalho de milhares de contratados que treinam e moderam o Google Gemini, revelando jornadas exaustivas e contato diário com material sensível.

Salários baixos na inteligência artificial expõem rotina

Uma investigação do The Guardian relata que os avaliadores terceirizados do Google recebem a partir de US$ 16 por hora — pouco menos de US$ 34 mil anuais, valor considerado baixo para o padrão norte-americano. Esses profissionais são responsáveis por:

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  • Avaliar respostas geradas pelo modelo de IA;
  • Moderar textos, imagens e vídeos violentos ou sexualmente explícitos;
  • Sinalizar conteúdos extremos e garantir conformidade com políticas de segurança;
  • Revisar se as respostas seguem padrões éticos definidos pela empresa.

Apesar da relevância da tarefa, trabalhadores como Rachael Sawyer afirmam que só descobriram o contato intenso com material perturbador após o início das atividades. Segundo ela, a meta é concluir cada análise em menos de 10 minutos, o que provocou crises de ansiedade e ataques de pânico sem suporte psicológico adequado.

Além da pressão por produtividade, entrevistados mostraram preocupação com mudanças de política que, desde o fim de 2024, permitem exceções para discursos de ódio, insultos raciais e material sexual explícito quando tais conteúdos são inseridos pelo usuário, não gerados pela ferramenta. “Estamos lançando um produto que pode não ser seguro”, disse um colaborador sob anonimato.

Para especialistas, o cenário evidencia um paradoxo: enquanto engenheiros e cientistas de dados recebem salários acima da média, a base humana que garante a segurança dos chatbots trabalha sob remuneração modesta, prazos apertados e alta exposição a conteúdo tóxico. A discrepância levanta dúvidas sobre sustentabilidade e ética na expansão da IA generativa.

O Google nega mudanças nas diretrizes de discurso de ódio, mas confirma parcerias com empresas terceirizadas para “garantir que as respostas atendam a elevados padrões de qualidade”. Até o momento, não foram anunciadas medidas de suporte psicológico ou revisão salarial para esses avaliadores.

Para saber como outras decisões corporativas impactam o dia a dia das pessoas, visite nossa editoria de Brasil e continue atualizado.

Crédito da imagem: miss.cabul/Shutterstock

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