Rua Nicolau Capelli: risco de desmoronamento apontado desde 2001
Rua Nicolau Capelli: risco de desmoronamento preocupa Juiz de Fora há pelo menos 25 anos, segundo laudos da Defesa Civil datados de 2001 obtidos com exclusividade. Documentos mostram alertas ignorados que antecedem o deslizamento que, na última semana, matou cinco pessoas e manteve a via interditada.
Rua Nicolau Capelli: risco de desmoronamento apontado desde 2001
Em agosto de 2000, moradores solicitaram vistoria à Defesa Civil por temerem a antiga pedreira localizada sobre a Rua Nicolau Capelli, no Bairro Cerâmica, Zona Norte da cidade. Na visita de 8 de agosto daquele ano, técnicos observaram duas grandes rochas apoiadas em terreno íngreme, sujeitas a deslocamento com chuvas intensas.
O cenário previsto pelo órgão se confirmou em fevereiro de 2001, quando uma dessas pedras se desprendeu e feriu um idoso de 70 anos. Em resposta, a Prefeitura de Juiz de Fora fez apenas a remoção dos escombros. Novo laudo, emitido após solicitação do Corpo de Bombeiros, advertiu que “novos deslizamentos podem ocorrer” devido à fragmentação do maciço e ao acúmulo de água pluvial e lixo despejado por moradores da parte superior.
No mês seguinte, o então diretor do Departamento de Coordenação de Obras Públicas, engenheiro Marco Antônio da Silva Santos, enviou ofício ao secretário de Obras Ramirez Mozzato Gonzalez sugerindo três intervenções: fixação das pedras com tirantes, construção de muros de concreto armado ou desmontagem controlada das rochas soltas. Nenhuma das soluções foi executada, de acordo com os documentos.
Em 21 de fevereiro de 2026, véspera das chuvas que castigaram a cidade, uma mulher de 25 anos foi soterrada no mesmo ponto e resgatada com vida. Três dias depois, a Defesa Civil determinou a evacuação das ruas Nicolau Capelli, Mammed Camil e Expedicionário Antônio Novaes. A interdição permanece, enquanto a Prefeitura não se pronunciou sobre obras de contenção.
Para entender como são feitos os mapeamentos de risco no país, consulte o site oficial da Defesa Civil Nacional, que detalha protocolos de prevenção e resposta a desastres.

Imagem: Reprodução
As famílias afetadas aguardam definição sobre retorno às residências e cobram posicionamento do Executivo municipal. Até o momento, não há prazo para obras ou liberação total da área.
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