Reformas no petróleo da Venezuela miram aporte estrangeiro
Reformas no petróleo da Venezuela miram aporte estrangeiro e foram o ponto central do primeiro discurso de Estado da recém-empossada presidente interina Delcy Rodríguez, na quinta-feira (XX/XX). A líder indicou que mudanças legais devem abrir caminho para capitais internacionais, condição cobrada pelo governo dos Estados Unidos para destravar até US$ 100 bilhões em investimentos no país.
Reformas no petróleo da Venezuela miram aporte estrangeiro
Rodríguez afirmou que a receita obtida com futuras vendas de petróleo ao exterior alimentará dois fundos: um voltado ao fortalecimento do sistema público de saúde e outro destinado a projetos de desenvolvimento econômico e infraestrutura. “Não tenhamos medo da diplomacia com os EUA”, declarou, enquanto criticava a “mancha” deixada pelas sanções de Washington, sinalizando a difícil tarefa de conciliar expectativas norte-americanas e a ala chavista contrária a qualquer ingerência.
A pressão internacional ganhou força na semana passada, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com executivos de empresas petroleiras. Darren Woods, CEO da ExxonMobil, classificou o país como “não investível” sem profundas reformas jurídicas e econômicas, comentário que irritou Trump mas reforçou a urgência de ajustes regulatórios em Caracas. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, hoje subaproveitadas por falta de capital e manutenção.
No plano interno, a presidente interina busca apoio ao anunciar a libertação de presos políticos detidos durante o governo Nicolás Maduro. A estratégia tenta criar um “novo momento político” enquanto o Tribunal Supremo concede a Rodríguez poder presidencial por períodos renováveis de 90 dias, suspendendo a obrigação de convocar eleições.
Apesar do discurso conciliador, Trump advertiu que a situação da dirigente pode “ficar pior que a de Maduro” caso ela não coopere. Paralelamente, grupos leais ao ex-mandatário mantiveram vigília no Palácio de Miraflores, entoando: “Maduro, resista, o povo se levanta”.

Imagem: Regina Garcia Cano The As
Os hospitais venezuelanos, que há anos dependem de doações de seringas e até parafusos cirúrgicos, são apontados como os primeiros beneficiados se as reformas no petróleo da Venezuela saírem do papel. Analistas destacam, porém, que o equilíbrio entre Washington, os militares e a população seguirá frágil enquanto não houver calendário eleitoral definido.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















