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Recuperação da Oncoclínicas impacta 40 mil investidores

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Recuperação da Oncoclínicas impacta 40 mil investidores

Recuperação extrajudicial da Oncoclínicas mobiliza cerca de 40 mil pessoas físicas que compraram Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) da rede de tratamento oncológico, hoje avaliados em torno de R$ 1,27 bilhão.

Suspensão de pagamentos e prazo de 90 dias

Os juros dos sete CRIs e das debêntures emitidas pela companhia estão suspensos desde 13 de abril, quando a Justiça concedeu uma tutela cautelar que bloqueou cobranças por 60 dias. Com o pedido formal de recuperação extrajudicial protocolado na terça-feira (14), a Oncoclínicas (ONCO3) ganhou mais 90 dias para negociar R$ 5,1 bilhões em dívidas com bancos e investidores institucionais.

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Fornecedores e funcionários continuam recebendo normalmente, pois ficaram de fora do plano. Ao contrário de uma recuperação judicial, o modelo extrajudicial exige adesão de, no mínimo, 50% + 1 dos créditos abrangidos para que as condições sejam estendidas a todos. Até agora, 37% dos credores já sinalizaram apoio.

Garantias limitadas elevam o risco dos CRIs

Investidores temem a fragilidade das garantias: apenas uma das emissões é lastreada em aluguéis; as demais contam apenas com avais de empresas do próprio grupo, classificando os papéis como créditos quirografários, sem prioridade de pagamento. Segundo dados da plataforma Vitrify, esse enquadramento reduz a possibilidade de recuperação integral do capital caso a situação financeira da empresa se deteriore ainda mais.

No mercado, o caso é comparado à renegociação da Raízen, que envolveu 100 mil investidores e ofereceu opções iguais para pessoas físicas, bancos e fundos. A expectativa é que a Oncoclínicas siga caminho semelhante, diferindo do processo do Grupo Pão de Açúcar, onde minoritários aceitaram descontos de até 70%.

Quatro caminhos em avaliação

Em nota, a companhia listou quatro alternativas em estudo: aporte de capital pelos acionistas, conversão de parte da dívida em ações, troca por novos instrumentos financeiros e alongamento dos prazos de amortização. A negociação é conduzida, do lado dos investidores de varejo, pelo escritório Mattos Filho (jurídico) e pela Journey Capital (assessoria financeira). Já os detentores de debêntures ONCO19 e ONCO29 são representados por Padis Sociedade de Advogados e Houlihan Lokey.

O avanço dessas tratativas é acompanhado também por instituições especializadas. Em reportagem do Valor Investe, analistas destacam que a transparência no diálogo será decisiva para definir o desconto final ou eventuais conversões em ações.

Com a conta pendente de R$ 5,1 bilhões e milhares de investidores à espera, o desfecho da recuperação extrajudicial da Oncoclínicas tende a servir de termômetro para a distribuição em massa de títulos isentos de IR no varejo.

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Crédito da imagem: Divulgação

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