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Recrutamento militar russo usa bônus e cidadania estrangeira

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Recrutamento militar russo usa bônus e cidadania estrangeira

Recrutamento militar russo usa bônus e cidadania estrangeira para ampliar o contingente na guerra contra a Ucrânia, evitando uma mobilização nacional impopular. Salários acima da média, bônus regionais que chegam a US$ 50 mil e facilidades para obtenção de passaporte russo formam o pacote oferecido a voluntários, prisioneiros e imigrantes.

Oferta financeira supera renda anual de grande parte dos russos

Em regiões como Khanty-Mansi, o bônus total prometido a cada recruta ultrapassa o dobro da renda anual média local, estimada em US$ 19 mil. Além do pagamento inicial, o governo concede isenções fiscais, perdão de dívidas e auxílio às famílias dos combatentes. Segundo o presidente Vladimir Putin, mais de 400 mil pessoas firmaram contrato somente em 2025, número que não pôde ser verificado de forma independente.

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Contratos sem prazo e pressão sobre conscritos

Ativistas relatam que muitos contratos estipulam um período fixo, geralmente de um ano, mas são renovados automaticamente por tempo indeterminado. Conscritos de 18 a 30 anos, teoricamente isentos de atuar no front, denunciam coerção de superiores para assinar esses documentos. Desde 2022, um decreto presidencial também impede soldados de pedir baixa antes de atingirem limite de idade ou sofrerem invalidez.

Estrangeiros e prisioneiros entram na linha de frente

Leis recentes preveem naturalização acelerada para estrangeiros que ingressarem nas Forças Armadas. Imigrantes de Índia, Nepal, Bangladesh, Quênia, África do Sul e Iraque relatam ter sido enganados por aliciadores que prometiam empregos civis. Há ainda o recrutamento direto em presídios e centros de detenção, prática iniciada pelo falecido mercenário Yevgeny Prigozhin e hoje incorporada pelo Ministério da Defesa.

O Instituto para o Estudo da Guerra aponta que a criatividade do Kremlin encarece o processo de captação em meio ao arrefecimento da economia russa. Já a plataforma independente Mediazona, em parceria com a BBC, confirmou pelo menos 160 mil soldados russos mortos, incluindo mais de 550 estrangeiros.

Número real de baixas segue oculto

Moscou mantém sob sigilo os dados oficiais de mortos e feridos. O Ministério da Defesa britânico estimou, em 2025, que mais de 1 milhão de militares russos tenham sido mortos ou feridos desde o início da invasão em fevereiro de 2022. A Ucrânia afirma que 18 mil estrangeiros já lutaram pelo lado russo; 3 400 teriam morrido e centenas permanecem como prisioneiros de guerra.

Apesar das dúvidas sobre a precisão dos números, analistas como Artyom Klyga, do Movimento de Objetores de Consciência, consideram o fluxo de voluntários estável, sustentado pelos incentivos financeiros e pela promessa de cidadania.

Para saber como conflitos internacionais repercutem no país, acompanhe também nossa editoria Brasil e fique informado sobre os próximos desdobramentos.

Crédito da imagem: AP Photo/Rajib Dhar

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