Um diagnóstico de câncer de mama é uma notícia impactante, é a iminência da morte que ameaça, assusta e que antecipa a vivência do processo do luto.
Observa-se que o câncer de mama apresenta várias formas de tratamento, com ou sem cirurgia, rádio ou quimioterapia, retirada de um nódulo localizado, de um quadrante da mama ou a mastectomia, que é a retirada da mama. Pode haver também reconstrução da mama que foi retirada. São situações que suscitam diferentes tipos e graus de sofrimento de angústia. É esse sofrimento que produz no psiquismo vários processos de defesa contra o sofrimento deflagrado pelo real. A defesa por negação do fato pode ser a mais prejudicial, pois leva a paciente a não agir para buscar recursos que se tem disponíveis, que atualmente são muitos. A ciência está muito avançada nas pesquisas e no tratamento do câncer de mama. Quando ele é descoberto no início há grandes chances de cura. A “aceitação” do fato de que a mulher esteja com a doença crônica leva à ação do enfrentamento para correr atrás de cura. Estas ações de ir resolver e decidir com o médico o que precisa ser feito, já desencadeia uma reação de um corpo que não se entrega, um corpo que é ativo, que deseja recuperar e isso já ativa as forças vitais benéficas.
O câncer de mama pode implicar várias perdas em jogo, é o trágico que ameaça de forma visceral.
Será que o seio ou a mama é apenas uma parte do corpo físico? Biológico? Só quem é mulher sabe o significado e a representação que sua mama tem para si mesma. A mama é um “órgão poderoso”, com vários investimentos psíquicos, ou seja vários significados para o universo feminino. O jargão de “peito aberto” apresenta a conotação: aquela que não foge da luta, corajosa, guerreira, forte, sensível e também é um físico que exprime a estética de sensual exuberância, que pode acalentar, nutrir afetos e amamentar. Todas essas representações remetem ao empoderamento feminino que pode conquistar o que desejar.
A possibilidade de perder a mama é muito mais complexo . Só quem passa por essa dor consegue exprimir o que isso tudo significa e o outro que desconhece esse universo não pode simplificar e ou banalizar. Dor que exige respeito de todos.
Não se envergonhe de expressar sua dor, falar alivia e fornece a coragem para enfrentar o medo da doença e possíveis medos relacionados ao tratamento .
Buscar suporte psicológico para ressignificar as perdas e nesse percurso é descobrir com novas lentes outras possibilidades de se refazer com criatividade e vigor. O psicólogo junto com o paciente buscará manter o bem estar emocional, como buscar a compreensão dos fatores psicológicos que estão interferindo em sua saúde.
A psicoterapia reconstrói a autoestima e favorece a emergência do sentimento de esperança que é o potencial curativo resultante desse processo.
Os profissionais de saúde poderão auxiliar a paciente a enfrentar de forma mais positiva e realista seu adoecimento. Todos envolvidos no tratamento contribuem para distanciar o sentimento de desamparo da paciente.
Buscar esclarecimentos com a equipe de profissionais de saúde, conversar com os mesmos sobre estratégias de enfrentamento para engajar no tratamento de forma eficaz, conseguir qualidade de vida durante esse processo, são movimentos necessários.
Além da ajuda dos profissionais, também a convivência com outras pessoas que passam pela situação pode ser um grande apoio, para trocas de informações e pela troca afetiva. Há grupos que se encontram para lidar juntos com o sofrimento gerado nesse período.
A família para não adoecer junto também precisará de suporte emocional e assim conseguir fornecer apoio adequado a seu familiar.
Quando descobrir seu diagnóstico, não guarde somente para si mesma. Mesmo que sinta que recebeu uma “sentença de morte”, compartilhe sua dor com pessoas de sua confiança.
Busque conhecimento sobre a doença, esclareça suas dúvidas com os profissionais de saúde (médico, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e outros).
Procure conviver com pessoas que te faça sentir bem.
Não se isole, busque manter sua qualidade de vida. Buscando ajuda com os profissionais você irá perceber que consegue superar todas as fases do tratamento com coragem e confiança. Após a superação do câncer você sentirá que seu peito estará aberto para a construção da sua nova vida.
Renata Fernanda Dias
Psicóloga Clínica
CRP 04/13463
Contato 31 9.9595-6258
Instagran: @psicorenstadias













