Protestos no Irã geram troca de ameaças entre Trump e Teerã
Protestos no Irã geram troca de ameaças entre Trump e Teerã enquanto manifestações, que já duram seis dias, deixam ao menos sete mortos e expõem novas tensões entre Washington e a República Islâmica.
Escalada das manifestações
Os protestos no Irã começaram após o colapso do rial, mas rapidamente evoluíram para atos com slogans contra o governo. Trata-se do maior movimento de rua desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini desencadeou uma onda nacional de indignação. Até agora, as marchas concentram-se em regiões como Zahedan, na província de Sistão e Baluchistão, e Kouhdasht, no Lorestão, onde funerais de manifestantes se tornam novos focos de tensão.
Ameaças de Trump e resposta iraniana
Pelo Truth Social, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump advertiu que, se Teerã reprimir violentamente os protestos pacíficos, “os EUA virão em socorro”, afirmando estar “pronto e carregado”. A declaração provocou reação imediata. O ex-presidente do Parlamento Ali Larijani, hoje secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, culpou Israel e Washington por “inflamarem” as manifestações e disse que qualquer intervenção resultaria em “caos regional e destruição dos interesses americanos”.
Outro ex-secretário do conselho, Ali Shamkhani, reforçou que “qualquer mão intervencionista que se aproxime da segurança do Irã será cortada”. Já o presidente da Câmara iraniana, Mohammad Bagher Qalibaf, ameaçou todas as bases e tropas dos EUA no Oriente Médio. O Ministério das Relações Exteriores de Teerã recordou episódios como o golpe de 1953 e o abate de um avião civil em 1988 para apontar um “histórico de agressões” de Washington.
Analistas alertam que o apoio explícito de Trump pode servir de justificativa para uma repressão mais dura, estratégia utilizada pelo governo em protestos anteriores. Segundo o serviço em português da BBC, autoridades iranianas historicamente associam a dissidência interna a complôs ocidentais.
Cenário econômico e político
O governo reformista do presidente Masoud Pezeshkian tenta dialogar, mas admite ter pouca margem para conter a desvalorização da moeda, que já supera 1,4 milhão de riais por dólar. A deterioração econômica alimenta a insatisfação popular, assim como a lembrança dos bombardeios americanos a três instalações nucleares iranianas em junho. Em paralelo, Teerã suspendeu o enriquecimento de urânio para sinalizar disposição a negociar o programa atômico, mas ainda não recebeu retorno dos Estados Unidos.

Imagem: J Gambrell The Associat
Com ameaças mútuas e nenhum canal diplomático aberto, especialistas temem que um novo confronto direto possa eclodir caso a repressão interna ganhe força ou se Trump retomar a Casa Branca em 2025.
Os próximos dias dirão se os protestos no Irã ganharão alcance nacional ou se serão contidos. Acompanhe outras análises em nossa editoria de Brasil e fique por dentro dos desdobramentos.
Crédito da imagem: Globalnews.ca















