Protestos no Irã: crise econômica e repressão elevam tensão
Protestos no Irã: crise econômica e repressão elevam tensão marcam a mais grave onda de manifestações antigovernamentais desde 2022, com 646 mortos e mais de 10,7 mil detenções, segundo a Human Rights Activists News Agency.
Impacto da queda do rial e inflação de 40%
A rápida desvalorização do rial, que ultrapassou a marca de 1,4 milhão por dólar, ampliou o custo de vida no país. Carne, arroz e combustíveis ficaram mais caros depois que Teerã elevou o preço da gasolina subsidiada e encerrou o câmbio preferencial para quase todos os produtos, exceto trigo e remédios. A inflação anual de 40% aprofunda o descontentamento popular.
Bloqueio da internet dificulta medição dos protestos
Para conter a mobilização, o governo restringiu o acesso à internet e limitou a circulação da imprensa, exigindo autorizações de viagem para jornalistas. Ainda assim, vídeos curtos nas redes sociais mostram confrontos e sons de tiros em diversas províncias. A imprensa estatal divulga poucos dados oficiais, agravando a falta de transparência.
Ameaças externas e o papel dos EUA
Com a Associated Press confirmando a ausência de números oficiais, Washington alerta que “respostas violentas” podem motivar reação militar norte-americana. O ex-presidente Donald Trump advertiu Teerã de “forte retaliação” se houver massacre de civis, numa referência aos protestos anteriores e ao recente conflito de 12 dias entre Israel e Irã que levou a bombardeios de instalações nucleares iranianas pelos EUA.
Erosão do “Eixo da Resistência”
O chamado Eixo da Resistência, aliança de Teerã com grupos regionais, sofre baixas desde a guerra Israel-Hamas de 2023. Hamas foi enfraquecido em Gaza, Hezbollah perdeu lideranças no Líbano e os houthis do Iêmen enfrentam ataques aéreos de Israel e dos EUA. Na Síria, Bashar al-Assad foi deposto em ofensiva relâmpago de 2024, isolando ainda mais o Irã.
Negações nucleares e impasse diplomático
Apesar de afirmar fins pacíficos para seu programa nuclear, Teerã enriquecia urânio a níveis próximos de uso militar antes dos ataques de junho. A Agência Internacional de Energia Atômica indica capacidade para fabricar até 10 ogivas, caso o país decida. O governo suspendeu temporariamente o enriquecimento e sinalizou vontade de negociar sanções, mas conversas não avançam desde o conflito com Israel.
Manifestações ganham tom político
Iniciados por comerciantes de Teerã em dezembro, os atos evoluíram de críticas econômicas para palavras de ordem contra o regime teocrático e apoio ao príncipe exilado Reza Pahlavi. A declaração do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, de que “os desordeiros devem ser contidos” não impediu novos protestos em todas as 31 províncias.
As manifestações no Irã escancaram o esgotamento econômico e político do país, ao mesmo tempo em que a repressão aumenta. Para acompanhar outras análises sobre cenários internacionais, visite a editoria BRASIL e siga nossas atualizações.
Crédito da imagem: Global News















