Protestos no Irã arrefecem, destino de presos segue incerto
Protestos no Irã arrefecem após uma repressão sangrenta que, segundo ativistas, deixou mais de 3 mil mortos, mas o paradeiro e a situação jurídica de centenas de detidos continuam nebulosos.
Clérigo exige execuções e eleva tensão interna
Durante o sermão de sexta-feira transmitido pela rádio estatal, o aiatolá Ahmad Khatami, membro influente do Assembly of Experts, qualificou os manifestantes como “criados de Benjamin Netanyahu” e “soldados de Donald Trump”. O religioso clamou pela aplicação da pena de morte aos detidos, ecoando gritos de fiéis que pediam: “Hipócritas armados devem ser executados!”.
Khatami também apresentou os primeiros números oficiais sobre destruição: 350 mesquitas, 126 salas de oração, 20 locais sagrados e 80 residências de líderes religiosos teriam sido danificados. Ele relatou, ainda, depredação de 400 hospitais, 106 ambulâncias, 71 veículos dos bombeiros e 50 viaturas de emergência.
Trump adota tom conciliador e agradece por suspender enforcamentos
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradeceu às autoridades iranianas por “cancelar” execuções em massa, afirmando “respeitar profundamente” a decisão. A declaração sinaliza recuo na retórica de possível ação militar, já que o mandatário havia estabelecido o uso da pena capital e o assassinato de manifestantes pacíficos como “linhas vermelhas” para uma intervenção.
Saldo humano permanece incerto
A BBC repercutiu o relatório da Human Rights Activists News Agency, que calcula 3 090 mortos — o maior número em décadas, comparável apenas ao cenário da Revolução de 1979. A agência, sediada nos EUA, diz verificar cada fatalidade por meio de uma rede de ativistas dentro do país. O governo iraniano, por sua vez, mantém silêncio sobre vítimas e prisões.
Enquanto Teerã volta à aparente normalidade e o bloqueio da internet já dura uma semana, relatos indicam que alguns iranianos atravessam fronteiras para restabelecer contato com o exterior. No posto de Kapıköy, na província turca de Van, viajantes disseram aguardar a restauração do serviço para regressar.
Diplomacia tenta esfriar cenário
O presidente russo Vladimir Putin ligou para o líder iraniano Masoud Pezeshkian e para Netanyahu na tentativa de conter a escalada. Paralelamente, diplomatas de Egito, Omã, Arábia Saudita e Catar advertiram Trump de que uma ofensiva norte-americana abalaria a economia global e incendiaria a região.

Imagem: J Gambrell And Farnoush Amiri
Do exílio, o príncipe Reza Pahlavi — filho do último xá deposto em 1979 — conclamou novas manifestações entre sábado e segunda-feira, prometendo “voltar ao Irã” e defender um governo de transição caso o regime caia. Apesar de apoio de setores monarquistas, sua influência dentro do país é limitada.
Em meio ao silêncio das ruas iranianas, a insurgência curda do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK) declarou ter realizado ataques contra a Guarda Revolucionária “para proteger manifestantes”, ilustrando o risco de o conflito ultrapassar fronteiras.
Os protestos no Irã podem ter perdido visibilidade, mas a combinação de repressão, ameaças de execução e tensões geopolíticas mantém o país em alerta. Acompanhe a cobertura completa no portal Minas Informa e saiba como desdobramentos internacionais impactam a região.
Crédito da imagem: Ebrahim Noroozi/AP















